Capítulo 125 — Ela se foi....
Lorenzo narrando…
Saí tarde da V-Tech naquela noite. O prédio já estava quase em silêncio, aquele silêncio caro, controlado, que só existe em empresas como a minha — onde até o eco parece obedecer regras.
Eu precisava deixar tudo pronto para a viagem do dia seguinte. Nada podia ficar solto. Nenhuma ponta. Nenhuma brecha. Paris não era só uma viagem. Era um ponto final. Um recomeço. Um gesto definitivo.
Apaguei as luzes do meu andar, caminhei até o elevador com a gravata já afrouxada, o paletó pendurado no braço. O espelho devolveu um homem cansado, mas determinado. Pela primeira vez, eu sabia exatamente o que queria.
Helena.
Cheguei à cobertura em silêncio. Não liguei luzes desnecessárias. Não fiz barulho. Hábito antigo de quem passou a vida chegando tarde.
Subi direto para o meu quarto.
Vazio.
A cama intacta. Nenhum sinal dela.
Estranhei.
Helena sempre dormia ali comigo.
Meu peito apertou por um segundo — aquele incômodo pequeno, quase irracional.
Saí do quar