Helena Narrando….
Eu não sei exatamente em que momento minhas pernas começaram a falhar.
Talvez tenha sido quando a porta do elevador se fechou atrás de mim. Ou quando o som da voz daquela mulher ainda ecoava na minha cabeça, nítido demais para algo que eu não deveria ter ouvido. Ou talvez antes, muito antes, no instante em que meu coração percebeu aquilo que minha mente ainda se recusava a aceitar: eu estava sozinha dentro de um prédio que, até minutos atrás, eu acreditava ser também meu lar.
Saí da V-Tech como quem foge de um incêndio invisível. Por fora, nada queimava. As pessoas seguiam seus caminhos, os carros cruzavam a avenida, o céu permanecia absurdamente azul. Por dentro, tudo era ruína.
Entrei na cobertura sem sentir o próprio corpo. Subi direto para o quarto e fechei a porta atrás de mim. Tranquei. Encostei as costas na porta. E ali, finalmente, eu desmoronei.
O choro veio profundo, doloroso, silencioso no início, depois descontrolado. Um choro que não pedia cons