Helena Narrando…
Segunda-feira chegou sem pedir licença.
Acordei devagar, envolta por um silêncio que não era vazio. Era denso, confortável. O tipo de silêncio que não incomoda, que não cobra, que apenas existe. Abri os olhos ainda meio perdida, encarando um teto que não era o mesmo do meu quarto. E sim do quarto do Lorenzo.
Demorei alguns segundos para aceitar isso como realidade. O lençol de algodão egípcio, o cheiro discreto dele ainda presente no travesseiro ao meu lado, a luz filtrada pelas cortinas pesadas.
Virei o rosto e encontrei o lado da cama vazio.
Por um instante, senti aquele microvácuo no peito — o medo bobo e automático de que tudo tivesse sido só um recorte bonito do fim de semana, algo que se dissolve quando a semana começa. Mas logo ouvi ruídos discretos vindos do banheiro. Água.
Ele estava ali.
Sorri sozinha, puxando o lençol até o queixo, sentindo o corpo ainda lento, a mente desperta demais. Dormir ali não tinha sido uma decisão planejada. Acontece