Lorenzo narrando…
Depois do café, nada foi dito de imediato.
E, curiosamente, nada precisou ser dito.
Havia uma continuidade silenciosa entre nós, uma troca que não dependia mais de gestos grandiosos ou palavras bem colocadas. Era o jeito como Helena se sentou mais perto na cama, ainda usando a minha camisa. Como apoiou o ombro no meu braço ao rir de algo banal. Como nossos dedos se encontravam vez ou outra sem pressa, sem intenção explícita, apenas porque o espaço entre eles parecia errado.
Eu estava acostumado a conduzir tudo. Ritmo. Tempo. Direção.
Com ela, eu aprendi a permanecer.
Depois do café, ficamos ali por um tempo indefinido. O quarto iluminado pela manhã avançando, o silêncio confortável, quebrado apenas por pequenas conversas que não buscavam impressionar. Helena me contou detalhes simples da faculdade, coisas que nunca tinham tido espaço nas nossas conversas anteriores.
Quando finalmente levantamos, não houve aquela pressa típica do depois. Não existia con