O escritório estava silencioso demais para um fim de tarde. As janelas de vidro deixavam a cidade dourada pelo pôr do sol, mas Dante não parecia notar. Estava recostado na cadeira, dedos entrelaçados atrás da cabeça, olhando para um ponto indefinido no teto. Enzo, sentado à frente da mesa, observava em silêncio há tempo suficiente para saber que aquela não era apenas mais uma conversa de negócios.
— Você vai continuar fingindo que isso é só cansaço… ou vai falar logo? — Enzo quebrou o silêncio, girando a cadeira levemente.
Dante soltou um suspiro lento.
— Eu não sei exatamente o que falar.
— Ótimo começo — Enzo ironizou. — Geralmente é aí que começa algo importante.
Dante se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa de madeira escura.
— A Isabel… — começou, e parou. Como se o próprio nome exigisse cuidado. — Ela não era parte do plano. Nada disso era.
— Nenhuma coisa boa costuma ser — Enzo res