POV — Isabel
Isabel sempre acreditou que dividir decisões diminuía a dor. Mas também sabia que, às vezes, dividir significava tornar tudo real demais.
Ela observava a mãe mexendo o café na cozinha, o som da colher batendo levemente na xícara marcando o ritmo de sua própria ansiedade. Marina estava sentada à mesa, atenta demais para quem fingia casualidade.
— Então… — a mãe começou, por fim — você quer nos contar por que está com essa cara desde ontem?
Isabel respirou fundo.
— Porque eu não posso mais fingir que estou lidando com isso sozinha.
Marina se inclinou para frente imediatamente.
— Isso tem a ver com o pai do bebê, não tem?
Isabel assentiu devagar.
— Tem. E é por isso que eu chamei vocês aqui.
Ela contou tudo. A clínica. O erro. Dante. O pai dele. As pressões. As escolhas conscientes que vinha fazendo para proteger a própria autonomia.
A mãe ouviu em