POV — Dante
Seis meses.
Dante nunca imaginou que um número pudesse carregar tanto peso. Não era apenas uma marca no calendário — era um ponto de não retorno. O tempo já não era uma abstração; era algo que crescia, se movia, respirava.
— Você já sentiu? — ele perguntou, tentando manter a voz casual enquanto caminhavam lentamente pela calçada sombreada.
Isabel ergueu uma sobrancelha.
— Sentir o quê?
— Ele… ou ela — corrigiu-se, rápido. — Se mexendo de verdade. Não só aqueles movimentos sutis.
Ela sorriu de lado.
— Agora sente-se bastante. Principalmente à noite.
Dante assentiu, absorvendo cada palavra como se fosse um manual precioso.
— Você quer saber o sexo? — Isabel perguntou, depois de alguns passos em silêncio.
Ele hesitou.
— Quero — respondeu. — Mas só se você quiser também.
Ela parou de andar e o encarou.
— Eu já sei — confessou. — Descobri no último exame.
O coração dele acelerou.
— E…?
— Não contei a ninguém ainda — disse. — Nem pra Marina.
Dante engoliu em s