A manhã amanheceu cinza, como se o céu tivesse decidido refletir exatamente o que se passava dentro de Marye. Ela observava a chuva fina escorrer pelo vidro da janela, café esquecido na mesa, pensamentos embaralhados demais para qualquer rotina comum. Havia algo mudando dentro dela — não de forma abrupta, mas como um rio que, silenciosamente, troca o curso.
Gustavo não dormira ali naquela noite. Não por falta de desejo ou vontade, mas porque ambos haviam sentido que algo precisava ser digerido