capítulo 4

— Ei! O que você está fazendo?

— Salvando sua vida, sua idi*ota. Denis jogou minha bolsa de volta depois de pegar as chaves do carro. Eu não tinha bebido uma gota de álcool hoje. Tínhamos combinado que era minha vez de ser a motorista da vez. — Pai, tira ela daqui.

— Você sabe o quanto eu te odeio, Denis?

— E esta manhã você estava dizendo algo completamente diferente. Ele riu, as suas palavras me atingindo em cheio.

Tínhamos feito amor naquela manhã. Eu me sentia uma mulher feliz, fazendo planos para o fim de semana, preparando uma surpresa especial para esta noite... e agora... O mundo virou de cabeça para baixo, e eu ainda não sei o que fazer a respeito.

— Você vai me agradecer depois. Concluiu Denis, e, pegando Liza pelo braço, a levou embora. — Vamos, precisamos conversar.

A loira não ofereceu muita resistência. Ela apenas me olhou com um sorriso satisfeito, como se tivesse ganhado uma competição.

Jovem, linda, ousada. Uma predadora disposta a colocar a mão não só no bolso de outro homem, mas também nas calças dele.

Quem diria que Liza conseguiria conciliar o trabalho de enfermeira com o de amante do cirurgião? Com ​​certeza, eu não.

Será que eu tinha sido tão cega para o meu próprio marido? E será que ele gostava de mulheres assim? E ele me disse que o que o atraía era a minha inteligência, que corria nas minhas veias. Será que ele estava mentindo para mim? Sobre o que mais Denis tinha mentido para mim?

Será que Liza era a única, ou havia outras? Quantas vezes ele me traiu? Quando tudo isso começou? Como pude ser tão ingênua?

Meus pensamentos corriam sem parar, um após o outro, sem me dar sossego. Naquele momento, eu sabia que se não saísse dali rápido, ia enlouquecer. Ou matar alguém. E eu sabia exatamente quem.

Só a lembrança de ter que me manter firme pelos meus filhos me deu forças para não fazer nada por impulso.

Saí do restaurante em silêncio, meus passos ecoando abafados pelas paredes. Petro caminhava ao meu lado, o que parecia me arrastar ainda mais para baixo. Eu tremia de tensão, mas me forcei a continuar, sem olhar para trás. Aquela noite tinha que ser inesquecível. E foi. Um infe*rno inesquecível.

Chegamos ao carro e Petro abriu a porta. Entrei, me abraçando para tentar me aquecer, embora o frio que eu sentia viesse mais da minha alma despedaçada do que da janela aberta.

Meu sogro sentou-se ao volante e ligou o carro.

Dirigimos em silêncio por alguns minutos. Olhei para minhas mãos, tremendo de emoção, e então olhei para o homem. Denis se parecia com o pai: tão alto, atraente com sua masculinidade, ombros largos, queixo firme e olhos cinza-azulados que encantavam à primeira vista.

Os anos não haviam diminuído a beleza de Petro. Na verdade, haviam lhe conferido uma autoridade madura, como um bom licor. Seus cabelos já estavam grisalhos, mas ele não parecia um velho frágil. Eu até notava com frequência como as jovens ainda lançavam olhares para o meu sogro. Seria ser um prêmio cobiçado até a morte uma característica da família Boyko?

Agora, enquanto observava seu perfil e suas mãos fortes, achei difícil iniciar uma conversa. Ainda sentia que deveria falar com Denis. Com a versão mais velha dele.

— Onde está Marina?

— Mandei-a para casa de táxi. Você sabe que o coração dela é frágil. Não deveriam testá-lo.

— E o meu? Ninguém se importou com o meu coração?

Se um coração pode se partir no peito com a traição, é isso que vai acontecer comigo. 

— Você sabia disso? Perguntei ao meu sogro, m*al conseguindo conter as lágrimas.

Petro suspirou profundamente.

— Eu suspeitava. Ele disse finalmente. — Mas não queria acreditar.

— E você decidiu ignorar? Respondi bruscamente. — Você justificou as ações dele?

— Eva, Denis é nosso filho. Sempre tentamos e continuaremos tentando apoiá-lo. Disse ele sem me olhar.

E eu? Tive vontade de gritar. Quem vai me apoiar?

Há quase dez anos, os meus pais viajaram para a Caxemira. Eles faziam parte de uma organização internacional de caridade. O meu pai era dedicado ao seu trabalho científico e minha mãe sempre tentava acompanhá-lo, principalmente depois que deixou o emprego.

Eles prometeram voltar em uma semana, mas não cumpriram a promessa. Morreram durante o terremoto.

Naquele momento, Denis se tornou meu apoio, e os seus pais tentaram me tratar como uma filha. "Tentaram" é a palavra-chave aqui. E então eu senti toda a diferença entre como eles tratam a própria filha e como tratam uma estranha.

— Pensavamos que ele resolveria esse probleminha sozinho.

— Problema? Exclamei, incapaz de conter a tensão. — Não é só um problema! É uma traição! Ele me traiu e traiu as crianças! Vocês não entendem?

Petro permaneceu em silêncio, e senti as lágrimas começarem a escorrer pelo meu rosto. Eu não aguentava mais. Desabei.

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