Mundo ficciónIniciar sesiónEstamos juntos desde os dezoito anos. Eu achava que sabia tudo sobre meu marido. Estava enganada. —Quer dizer que isso não foi um erro isolado? Você me traiu conscientemente? — Eu tenho cara de quem faz as coisas sem pensar? O jeito que Denis me olha me faz tremer. De frio e medo, porque esse abismo não vai destruir apenas o nosso casamento, vai me destruir também. — Há quanto tempo? Foi tudo o que consegui sussurrar. Como se uma mão desconhecida estivesse apertando minha garganta. — Dois anos. — Dois anos? Eu não conseguia acreditar. — Ela vai ter um filho, Eva. Meu filho. Essa última explicação não precisava de mais esclarecimentos. Então, ela vai ter um filho... E os nossos filhos já se tornaram secundários?
Leer más— Você viu o Denis?
— Não.
Estávamos comemorando o aniversário do meu marido. Estavam prestes a servir o bolo, mas parecia que o aniversariante tinha simplesmente desaparecido. Ele sumiu sem que ninguém percebesse, então me vi vagando pelo restaurante me sentindo um pouco ridíc*ula enquanto perguntava aos convidados.
— Talvez ele tenha saído para fumar. Brincou Marco, um paramédico.
Hoje, no “Mirrors”, estavam muitos colegas do Denis. Decidimos não comemorar apenas com a família, mas fazer uma festa completa, combinando o aniversário dele com sua recente nomeação como chefe do departamento de cirurgia.
— Ele não fuma.
— Bem, talvez ele esteja no banheiro então. Acrescentou o homem, dando de ombros. — Não é como se ele tivesse simplesmente desaparecido.
Forcei um sorriso para a piada sem graça, mas mesmo assim fui ao banheiro. Para minha surpresa, o banheiro masculino estava fechado. Depois de perambular pelo restaurante de dois andares, finalmente precisei ir à seção feminina.
Ao abrir a porta, deparei-me com uma cena cômica: duas colegas de Denis, as loiras Olga e Victoria, estavam sentadas nos vasos sanitários, cada uma com uma taça de champanhe na mão, conversando animadamente.
— Ah, Eva! Você chegou na hora certa! Exclamou Olga ao me ver. — Entre e junte-se a nós.
— O que está acontecendo aqui?
— Conversa de meninas. Riu Vic. — Por que você está tão séria? Onde está o seu Denis?
— Ele sumiu em algum lugar. Suspirei. — Estou procurando por ele em todo o restaurante...
— Não se preocupe, Eva. Olga tentou me tranquilizar. — Ele está em algum lugar, vai aparecer logo. Conte-nos, o que há de novo com você?
— Nada de novo. Respondi desinteressadamente. Sentia uma estranha sensação. — Tudo na mesma. Retoquei a maquiagem e tentei ligar para meu marido novamente, mas ele não atendeu.
— Não acredito. Murmurou Vic lentamente. — Tão bonita, com um marido cirurgião renomado e, além disso, ele foi promovido.
— Não tenha inveja. Disse Olga, sorrindo. — E onde estão seus filhos?
— Em casa com uma babá temporária. Admiti. — Comemoramos em família ontem e hoje queríamos dar uma festa para os amigos e colegas do Denis.
—Que bom para você. Tudo pelo seu marido. Comentou Vic docemente, embora eu não gostasse nada do sorriso dela. —E pela casa, pela festa e por você mesma. Não entendo como você conseguiu ter três filhos e se manter em tão boa forma. Eu engordo só de respirar, e você…!
— Genética. Respondi secamente, sem mencionar que era uma completa mentira.
Aprendi há muito tempo que para ter uma boa aparência, é preciso trabalhar duro. A genética não ajuda, especialmente depois dos trinta. — Você tem sorte, com a sua aparência e o seu marido. Onde disseram que vocês pretendem passar as férias? Nas Seychelles? Perguntou Vic, inclinando a cabeça para o lado, com um brilho frio e furioso nos olhos.
— Na Geórgia. Ainda não juntamos dinheiro suficiente para as Seychelles.
— Bem, vocês vão juntar. Denis certamente vai ganhar o suficiente. Cirurgiões são bem pagos, especialmente os verdadeiros profissionais. Só lembre-se de permitir que ele tenha algumas fraquezas, ou ele vai fugir com outra. Comentou Vic, erguendo as sobrancelhas.
Senti um arrepio percorrer minha espinha.
— Como assim?
— Ela está só brincando. Disse Olga, cutucando-a com o cotovelo.
As mulheres trocaram olhares, e eu tive a sensação de que o ar estava carregado não só de fofoca, mas de algo pior. Era como sentir a tensão antes de tudo explodir, mas decidi ignorar. Era só conversa fiada de garotas que tinham bebido demais.
— Nada demais. Vic deu de ombros. — É que, sabe, todos os homens têm seus segredos e fraquezas. O importante é saber lidar com eles.
— Não entendi o que você quis dizer.
— Ah, não leve a sério. Olga interrompeu, tentando amenizar a situação. — Estamos só especulando sobre onde o Denis foi. Talvez ele esteja planejando uma surpresa para você.
— Que tipo de surpresa?
— Romântica. Vic riu.
— Você está indo longe demais, minha amiga. Sussurrou Olga.
— E daí? Todos os homens são iguais, que a nossa Evita não se esqueça disso. Dizem palavras doces, prometem o mundo e depois adeus!
— Se você tem algo a me dizer, diga logo. Não entendo suas insinuações. Respondi, sentindo-me amarrada da cabeça aos pés, olhando para as mulheres no espelho.
— Ah, Eva, não se preocupe. Comentou Victoria, erguendo os olhos. — Você sabe o que dizem: se um homem desaparece, é por causa de uma traição ou uma surpresa. Mas o seu Denis não é uma dessas coisas, é?
De repente, a porta se abriu e uma jovem loira entrou no banheiro. Reconheci-a imediatamente: era Liza, uma das enfermeiras que trabalhava com Denis. Tínhamos nos visto algumas vezes, mas nunca havíamos conversado. Ela parecia um pouco desarrumada: batom borrado, cabelo despenteado e vestido amassado. — Nossa, Liza, você parece que lutou contra o vento. Riu Vic. — E acho que sei o nome do vento.
A jovem se aproximou do espelho, começou a retocar a maquiagem e comentou, sem desviar os olhos do reflexo:
— É difícil conter a paixão quando existe amor verdadeiro. Sorriu maliciosamente e me olhou pelo espelho. — Não é verdade, Eva Valentinovna?
— O quê?
— Bem, você sabe muito bem o que é o amor verdadeiro com um homem especial. Acrescentou a loira. —Invejo sua família perfeita. Provavelmente não sou a única.
Senti como se tivesse sido atingida por um raio. M*al conseguia conter a vontade de desabafar tudo o que me passava pela cabeça. Mil perguntas fervilhavam na minha mente, mas eu não queria causar um escândalo na frente dos colegas do meu marido. Então, simplesmente reuni toda a minha coragem e perguntei:
— Liza, você viu meu marido? Ele desapareceu e eu não consigo encontrá-lo.
Seus movimentos pararam por um instante, mas então, com uma expressão inocente, ela respondeu:
— Não, não o vi. Disse ela, continuando a arrumar o cabelo. — Talvez ele esteja na sala de estar.
Vic e Olga trocaram olhares, e percebi que estavam se divertindo com a situação. Eu já estava cansada, então saí do banheiro. No corredor, finalmente encontrei meu marido.
— Denis! Onde você estava?
— E você? Ele perguntou, ajeitando o paletó.
— Eu…
— Vamos, Eva. Disse ele, pegando meu braço. — Já vão servir o bolo. Todos estão esperando por você.
— Por mim?
Os músicos tocavam uma melodia suave. Todos conversavam e riam. Havia muitos convidados. Quando entramos, Denis e eu chamamos a atenção, e o salão irrompeu em aplausos e gritos de parabéns.
Menos de cinco minutos depois, os funcionários trouxeram um bolo de cinco andares adornado com flores e velas. No centro, havia a figura de um cirurgião com um bisturi. Um presente simbólico para Denis em sua nova função. Sorri. Parecia que meus medos eram infundados.
— Muito obrigado a todos. Exclamou Denis, erguendo o copo em agradecimento. — Vocês são todos muito importantes para mim e estou feliz por compartilhar esta noite com vocês.
De repente, a música parou e Liza subiu ao palco. Ela pegou o microfone e o salão ficou em silêncio.
— O que ela está fazendo? Perguntou meu marido, franzindo a testa.
— Prezados colegas, quero parabenizar pessoalmente nosso maravilhoso chefe. Começou ela, com voz confiante e sorriso radiante. — Tenho até um presente especial para ele.
Vi Denis se mexer inquieto. Seus pais olhavam ao redor, confusos, entre nós e o palco.
Liza tirou uma pequena foto do bolso e a mostrou para todos.
— É uma ultrassonografia. Ela declarou. — E quero anunciar que Denis será pai em breve. Parabéns, querido.
Passamos o dia todo com as crianças, aproveitando aqueles momentos simples, porém preciosos. De vez em quando, eu checava o celular; Denis havia parado de tentar falar comigo, o que achei estranho. Como ele podia simplesmente desaparecer assim, depois de ter reagido com tanta intensidade na noite anterior, quando fomos embora?Uma sensação de inquietação surgiu em mim; eu sentia que Boyko estava tramando algo e, sem saber exatamente o quê, não conseguia preparar uma resposta.Ainda assim, as crianças conseguiram me distrair o suficiente para que eu não tivesse tempo de me prender a pensamentos negativos.Melnick saiu para fazer umas compras depois de perguntar se eu precisava de algo ou do que as crianças gostavam. Ele voltou com tantas sacolas de mercado que eu não sabia onde guardar tudo aquilo.— Quem quer sorvete? Perguntou Makar da porta.— Eu! As crianças correram até ele.— Só depois do almoço. Avisei a tempo, embora tenha enfrentado uma onda de protestos.— Ah, mãe!— Comida s
Os meninos, animados com a nova companhia e a perspectiva de um café da manhã delicioso, já haviam deixado a timidez de lado. Makar brincava com eles e contava histórias engraçadas sobre os diferentes países onde havia trabalhado, conquistando rapidamente a confiança total deles.Dimitri e Maiko riam enquanto o ouviam, enquanto eu os observava com alívio e alegria. Irinka também começou a sorrir, o que me deixou incrivelmente feliz.A refeição estava deliciosa. Makar havia preparado mingau de aveia e ovos mexidos com uma salada de acompanhamento, deixando todos satisfeitos.Depois do café da manhã, com os pratos já vazios, sugeri:— Coelhinhos, vocês querem assistir a desenhos animados?— Sim! Os três exclamaram em uníssono.Makar ergueu as sobrancelhas, surpreso, ao ver as crianças e Irina correrem animadas para a sala de estar. Com um sorriso enigmático, ele fixou o olhar no meu, e senti um calor subir pelas minhas bochechas.— O quê?— Você tem três filhos. Ele disse, pensativo, as
Na manhã seguinte, fui despertada pelo aroma de café e ovos fritos. Makar estava na cozinha preparando o café da manhã. As crianças ainda dormiam, então desci silenciosamente para me juntar a ele.— Bom dia. Cumprimentei-o, tentando não corar com sua atenção repentina.— Bom dia. Ele respondeu, sorrindo. A camiseta branca realçava suas costas fortes e músculos definidos, enquanto a calça de moletom cinza simples nunca havia me chamado tanta atenção quanto agora. — Espero que goste do café com leite.— Sim, obrigada. Respondi, pegando a xícara e tomando um gole, desviando o olhar. Por que eu estava encarando Makar com tanta intensidade? Simples curiosidade feminina. — Você cozinha muito bem, aliás.— Bem, tive bastante tempo para aprender. Disse ele, dando de ombros enquanto preparava a salada. — Em zonas de conflito, muitas vezes você tem que fazer tudo sozinho. Mas não temos tanta variedade de ingredientes como aqui.A panela de milho fervia no fogão. — Entendo. Assenti pensativament
— Até eu começar a incomodar. Disse ele com um sorriso leve, e notei um brilho travesso nos seus olhos. — Realisticamente, algumas semanas — talvez um mês. Preciso descansar antes do meu próximo contrato.— E para onde você vai desta vez?” Não consegui conter a curiosidade.— Ainda não sei. Há muitas opções. Não decidi.Makar não estava se gabando. O seu tom era calmo, mas me fez perceber que um profissional do calibre dele jamais teria dificuldade em encontrar trabalho.— Entendo.Um silêncio instalou-se entre nós, mas era um silêncio agradável. Ficamos apenas ali, aproveitando o momento. Makar olhava para mim com um sorriso leve, e senti um calor reconfortante preencher o meu coração.— O que foi? Por que está olhando para mim assim?— Eu estava lembrando da primeira vez que te vi. Lá na universidade. Você e a Ruslana estavam tomando sorvete no parque.— Não me lembro muito bem. Vivíamos tomando sorvete e passeando pelo parque. Dei de ombros, insinuando que não era algo importante.





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