eu vou proteger essa mulher!

Evangeline

— Sílvia, eu cheguei... Sílvia... Eu não tenho tempo para brincadeiras... Sílvia.

A sala está toda escura.

Acendo a luz.

O senhor Rodrigues surge sorrindo para mim, com seus dentes amarelos.

— O que você está fazendo aqui? Sílvia!

A miserável surge com uma mala. Ela abre e vejo muito dinheiro dentro dela.

— Sílvia, o que está acontecendo aqui? Cadê o advogado?

Ela ri, e o velho nojento também.

— Você é muito burra. Eu te vendi para o senhor Rodrigues. Você vai passar uma noite com ele.

— Você... vocês são loucos!

Digo e me dirijo para a saída.

Dois homens fortes e armados não me deixam sair.

— Você não vai a lugar nenhum hoje. Vou transar com você até cansar.

O senhor Rodrigues diz, lambendo os lábios.

Em um movimento rápido, pego meu celular dentro da bolsa e ligo para Danilo.

Ele logo aceita a chamada.

— SOCORRO!

Grito.

Um dos homens pega o celular das minhas mãos e o quebra.

Sílvia se aproxima.

— Você é tão tola, Evangeline. O seu marido não se importa com você. Ele deve estar em um quarto de hotel com a amante. Seja uma boa menina e agrade o senhor Rodrigues.

— É verdade que você é virgem? Eu vou adorar te ensinar tudo, docinho.

Meu Deus do céu... eu preciso ganhar tempo.

— Eu vou para um restaurante caro. Estou cansada de comer comida enlatada. Divirta-se, querida.

A desgraçada me dá um beijo na bochecha e sai da casa.

— Rapazes, fiquem lá fora. Quero ficar sozinho com minha loirinha.

Os dois brutamontes obedecem.

Minhas mãos não param de tremer.

Esse monstro vai abusar de mim...

Pensa, Eva... pensa.

Ele começa a tirar a roupa.

Já sei.

Me esforço e planto um sorriso nos lábios.

Me aproximo do ser asqueroso e finjo que vou abraçá-lo, mas levanto o joelho e acerto com força o saco imundo dele.

Ele solta um longo gemido de dor.

— Puta miserável... volta aqui!

Diz, com a mão no meio das pernas.

Se eu sair, os dois brutamontes vão me pegar.

Corro para meu antigo quarto e tranco a porta.

— Abra a porta, seja uma boa vadia. Garanto que vai ser bem recompensada. Abra a merda da porta. Hoje você não me escapa. Vou te foder a noite inteira.

Ele diz, chutando a porta.

Procuro algo para bater nele.

Pego uma tesoura e um sapato velho.

Me tranco no banheiro.

Danilo, você tem que me salvar...

— Eva, não estou entendendo por que está se fazendo de difícil. Eu sou bom de cama, você vai gozar muito.

O desgraçado quebra a porta.

— VÁ EMBORA, VELHO NOJENTO!

— Garota, é melhor colaborar, senão vai doer muito.

— Vá para um bordel! Eu não sou uma prostituta.

Digo e pego um frasco de shampoo.

— Eu quero ter o prazer de tirar sua virgindade. Você será a primeira que vou provar do seu mel.

Ele chuta a porta várias vezes até ela abrir.

— Tira a roupa, coelhinha. Eu tô animado.

O tarado nojento está usando só uma cueca.

Me aproximo, jogo o shampoo nos seus olhos e enfio a tesoura na perna direita dele.

— PUTA DESGRAÇADA! Venha já aqui! Eu vou te dar uma boa surra antes de te comer!

O empurro e corro.

Olho para a janela. Os dois brutamontes estão de guarda.

Meus olhos se voltam para um vaso horroroso que Sílvia ganhou de uma prima.

O senhor Rodrigues surge mancando.

Jogo o vaso na direção dele, subo as escadas e ele vem atrás de mim.

O empurro e ele cai.

Espero que esse verme morra.

Me tranco no quarto de Sílvia e me escondo debaixo da cama.

Meu Deus... o Danilo deve estar com a Megan. Ele não vai me salvar...

Danilo

— Eu não vou para lugar nenhum, Adriano. A Eva só está querendo chamar a atenção.

Ele cerra os punhos.

— Eu a conheço melhor do que ninguém. Ela está em perigo. Sei que você não a ama, mas seja um homem honrado e salve sua esposa.

O grito de pavor dela era bem real.

— Você tem razão... Vou ver se ela deixou alguma mensagem para mim...

Pego meu celular.

E vejo a mensagem:

“Oi, eu vou para a casa da Sílvia. O advogado do meu pai quer falar comigo. Nem sei por que estou te falando isso... você não se importa comigo.”

Uma dor toma conta do meu peito.

Evangeline pode ser uma golpista, mas ela precisa de mim.

Nunca fui com a cara da madrasta dela.

— Você vem?

Adriano balança a cabeça, confirmando.

Antes de entrar no carro, aviso a polícia.

Ao chegarmos, vejo dois homens fortes armados perto do portão da casa.

Jogo uma pedra em um, e Adriano j**a outra no outro homem.

— Eu vim buscar a minha esposa. Onde ela está?

Eles se aproximam.

— Ninguém vai entrar aqui. Vão embora.

Diz o moreno, apontando a arma para mim.

— A polícia já está chegando... Eu sou um homem muito influente. Acho que vocês não vão querer me irritar.

O moreno olha para o parceiro.

— Eu tô fora. Não posso voltar para a cadeia.

— Eu também.

Com os dois fora do nosso caminho, eu e Adriano entramos na casa.

Vejo gotas de sangue no chão da sala.

Subo as escadas com Adriano em meu encalço.

— SAIA DE CIMA DE MIM, SEU MISERÁVEL!

Eva...

Vou em direção aos gritos, entro em um quarto e vejo um homem de meia-idade tentando agarrar minha esposa enquanto ela tenta se livrar dele.

Um ódio que nunca senti antes na minha vida toma conta de todo o meu ser.

— Saia de cima da minha esposa, seu lixo imundo!

Arranco o homem de cima dela, o derrubo no chão e dou vários socos nele.

— Eu vou te matar, abusador desgraçado! Eu vou te matar, velho escroto!

— Danilo, já chega. Cuide da Eva e eu cuido desse ser repugnante.

Deixo o saco de merda no chão.

E me aproximo de Eva.

— Eva, você está bem? Ele... o que ele fez?

— Ele me bateu e tentou me agarrar à força. Graças a Deus você chegou... eu pensei que ele iria... mas graças a Deus você chegou a tempo.

Diz em um tom de voz sofrido, chorando sem parar.

Esse desgraçado iria abusar dela.

Acaricio seus braços e sinto vontade de arrancar as bolas do velho ao ver os hematomas.

Toco seu rosto com as duas mãos.

— Eva, olhe para mim... Eu prometo que esse homem vai ter o que merece. Você está segura agora. Eu vou cuidar muito bem de você.

Ela sorri entre as lágrimas e me abraça.

Eu não amo ela.

Mas, a partir de hoje, vou acabar com qualquer um que ousar tocar nela.

— Vou te proteger!

Digo com determinação.

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