Mundo de ficçãoIniciar sessãoEvangeline
Meu sogro me deu um cartão de crédito. Ele disse que não posso ficar com vontade de comprar. Agora sou esposa de um bilionário e preciso estar bem vestida. Eu disse que as roupas que compro também são de qualidade e muito bonitas. Mas Jorge não aceitou um não. Então eu aceitei o cartão. Comprei algumas roupas para mim, incluindo um vestido belíssimo de festa e muitos acessórios. Vou criar looks incríveis. E, claro, eu não podia esquecer das crianças do abrigo que visito. As duas meninas, filhas da Tereza, estão lá. Visito elas sempre que posso. Rafaela está com medo de a irmã mais nova ser adotada. Infelizmente, isso pode acontecer. A maioria das pessoas prefere adotar bebês ou crianças pequenas. Na minha opinião, elas deveriam olhar para os adolescentes. Afinal, eles também precisam de amor e carinho. Saio de uma loja infantil cheia de sacolas de roupas e brinquedos. — Olha só quem está gastando o dinheiro do meu homem. Não tem vergonha na cara, não? Megan surge na minha frente usando um vestido verde cafona. — Eu não tenho que ter vergonha de nada, ao contrário de você, que é amante de um homem casado. Ela sorri. — Deixa de ser cínica, sua vadia. Você sabe muito bem que a mulher que o Danilo ama sou eu! Ele nunca vai te enxergar como mulher... Quer um conselho? Coloque silicone, ajeite essa palha de milho que chama de cabelo e use roupas como as minhas... Aí aquele seu amigo, o Adriano, olha para você. O Danilo é meu. Diz e me empurra. — Eu não preciso mudar quem eu sou para atrair um homem. E Deus me livre usar essas roupas cafonas que você veste... Também vou te dar um conselho: por que não trabalha em um cabaré, ao invés de sugar o homem que amo? A infeliz solta uma risada bem escandalosa e nojenta. — Evangeline, eu tenho pena de você... Nunca vai chegar aos meus pés. Olha só para mim, eu sou uma deusa. O seu marido é obcecado pelo meu corpo gostoso. Ele ama tocar e beijar os meus seios. Acha mesmo que ele vai me trocar por uma mulher sonsa e sem graça? Me levanto e dou um tapa bem forte no rosto da vagabunda. — Você não tem respeito por ninguém... — E você, que obrigou um homem a se casar com você? Acorda para a vida, loirinha. Você acha que é a protagonista de um romance? Aqui é a vida real, colega. Ninguém vai te salvar... Espera, tive uma ideia. Você é muito amiga do Jorge Cavalcanti, né? Por que não o seduz? Ele é tão rico quanto o Danilo. — Vagabunda... Você me respeita ou eu vou acabar com você. Digo e avanço nela. Megan me segura e arranha meu rosto com suas unhas pontudas. Os seguranças do shopping seguram a gente. — Amiga, foi bom conversar com você. Espero que siga os meus conselhos. Boa sorte. A vadia diz, me manda um beijo e sai. Me liberto do aperto do segurança. Pego as sacolas do chão e me retiro do shopping. Dirijo de volta para casa. Vou em busca do kit de primeiros socorros e, assim que acho, faço um curativo em meu rosto. Guardo tudo e, quando estou indo para o meu quarto, Danilo chega. Uma expressão furiosa decora a sua face. — Como você ousa bater na minha mulher? É claro que a desgraçada iria fazer intrigas. — Boa tarde para você também. — A Megan está cheia de hematomas pelo corpo. Qual é o seu problema? Reviro os olhos. — Danilo, você é muito idiota. Aquela vadia fez os hematomas com maquiagem ou com as próprias mãos. Eu só dei um tapa nela. Ele me puxa para perto. — Eva, escuta bem, porque eu só vou dizer uma vez. Você pode ser minha esposa no papel, mas, na minha vida, você não é nada além de uma mulher chata que está atrapalhando a minha felicidade. Seguro as lágrimas. Ouvir isso do homem da minha vida dói mais que picada de abelha. — Danilo, eu ainda vou te provar que ela é a vadia da história. Ele ri com deboche. — Evangeline, você é patética. Eu quase caí no seu papo de boa moça. — Quer saber? Fique com aquela ordinária. Espero que ela te deixe sem nenhum tostão. Digo e me afasto. E ele não vem atrás de mim. — É claro que ele não vem, Evangeline. Esse casamento foi uma péssima ideia. Digo para mim mesma. Decido ir à praia. Me sento perto do mar. Fecho os olhos e fico em silêncio, escutando as ondas do mar baterem em meus pés e as risadas das pessoas que estão se divertindo na praia. Meu celular toca. Atendo. É a Sílvia. — Evangeline, o advogado do seu pai está aqui. Ele tem algo importante para revelar. Venha agora. — Ok, estou indo. Espero que não seja mentira. Agora que casei com um bilionário, a Sílvia está louca atrás de mim. Danilo De noite. — Cara, você é burro! Como pode acreditar naquela vadia? Eu vi as câmeras do shopping. Foi ela que provocou a Eva. Bebo o resto da minha cerveja e encaro Adriano com pena. — Adriano, deixa de ser otário. A Eva é uma mulher muito ardilosa. Ele ri. — A Eva? A mulher mais adorável e doce, que gosta de romances, ama crianças e arrisca a vida para subir o morro e proteger as crianças de pais ruins? Essa mulher que tanto admiro é uma psicopata fria e manipuladora? Danilo, você é um grande idiota. — Quer saber, Adriano? Vá embora. Procure a sua mulher perfeita e case com ela. É um favor que vai estar me fazendo. Meu celular vibra. É a Evangeline. — Socorro! Grita, e a ligação cai. Mas que porra está acontecendo?






