carinho inesperado

Evangeline

Graças a Deus, o Danilo me salvou daquele homem nojento.

Toda vez que penso na boca fedorenta dele no meu pescoço, sinto vontade de vomitar.

As palavras sujas que ele falava no meu ouvido me fizeram ter muito medo. Se Danilo e Adriano não tivessem aparecido, eu estaria marcada para sempre.

Assim que cheguei em casa, demorei uma hora no banho tentando tirar o cheiro imundo do senhor Rodrigues de cima de mim.

Me enrolei na toalha e vesti um pijama confortável.

Danilo abre a porta e entra com uma bandeja com sopa, suco e água.

— Você precisa se alimentar.

Tento sorrir.

— Obrigada por me salvar. Pensei que não iria conseguir.

Ele coloca a bandeja em um canto, senta-se ao meu lado e toca o meu rosto com carinho.

— O Adriano abriu os meus olhos... Não se preocupe. Aquele verme está arruinado. Vai ficar sem dinheiro e vai ter o tratamento que merece na cadeia. Como você está?

— Tô bem... Mas não paro de pensar se... ele tivesse conseguido o que queria.

— Eva, ele não conseguiu e não vai conseguir nunca. Eu disse que vou te proteger de tudo. Vou cumprir a minha promessa.

Sorrio e deito a minha cabeça no colo dele.

— Me conta alguma coisa boa ou engraçada que aconteceu com você. Eu preciso distrair a minha mente.

A mão dele começa a fazer um carinho bem gostoso na minha cabeça.

— Quando eu tinha dezenove anos, apostei com um amigo que conseguiria passar vários minutos sem piscar. Como não consegui, tive que correr pelado na faculdade.

Tenho uma crise de risos.

— Meu Deus do céu... Eu queria ter visto!

Tento parar de rir, mas não consigo.

— E o que aconteceu?

— Se eu não fosse filho de um homem importante, seria expulso. Tive que ajudar na cantina por um mês usando uma touca bem feia na cabeça.

Mais uma vez, solto uma gargalhada alta.

— Nunca pensei que o bilionário sério e respeitado iria correr pelado.

— Eu era jovem e imaturo. Por favor, não conte essa história para ninguém.

— Desculpa, Danilo, mas eu vou sim... É hilário. Obrigada, agora eu estou um pouco melhor.

— Eva, a sua madrasta também está na cadeia.

Me levanto.

— Ela vai ficar muito tempo lá?

— Eu vou cuidar para que aquela vadia não saia tão cedo de lá. Nunca fui com a cara dela, mas jamais pensei que ela seria capaz de te vender.

— A Sílvia nunca gostou de mim. Ela sempre teve inveja da minha mãe. Quando ela morreu, a invejosa não esperou nem um mês para casar com meu pai. Ela tentou muito ter filhos. Como não conseguiu, ficou me infernizando, fazendo intrigas para o meu pai, que era outro que não valia nada.

— Eu não sabia que a sua vida era tão sofrida.

Sorrio.

— Também não é assim... Eu vivi no conforto, nunca passei fome e hoje tenho um trabalho que amo. Tem pessoas por aí que estão em situações piores do que eu. Temos que ser gratos por tudo de bom na nossa vida.

Danilo sorri de um jeito lindo e fica me olhando por bons segundos.

— Nossa, Eva... Eu não sei nem o que dizer... Me desculpa por pensar que...

Ele se levanta.

— Eu fui um imbecil, mas você sabe que...

Você não me ama. Eu sei disso, mas eu também sei que não ama a Megan.

Me levanto e me aproximo dele.

— Eva, por favor...

— Você pode ficar com ela e me deixar aqui.

— Eu não vou fazer isso. Tenho que cuidar de você.

O celular dele começa a tocar.

É ela.

Ele atende.

— Oi... Eu não posso ir hoje. Tô muito cansado. Semana que vem eu passo aí, né? Desculpa.

Diz e desliga.

Uma pequena gota de esperança nasce dentro do meu coração.

Ele dispensou a amante para ficar comigo.

Isso, para mim, é uma grande vitória.

— Danilo, se você quiser ficar com a sua amante, pode ir. Eu me viro.

Ele fica calado.

— Sempre cumpro as minhas promessas. Agora coma.

Diz apontando para a sopa.

— Só como se você me der na boca.

A expressão dele fica surpresa.

— Você não é criança, Evangeline.

— Sou sua esposa. Eu preciso de você. Não tô pedindo para roubar um banco.

Digo fazendo uma carinha manhosa.

Ele ri e se senta.

Eu me sento de frente para ele.

Danilo pega a colher cheia de sopa e leva até a minha boca.

— Eu amo sopa de abóbora. O seu pai te contou?

Danilo fecha a cara.

— Não foi o Vicente.

— Danilo, você não acha que já está na hora de fazer as pazes com o seu pai? Eu sei que ele foi horrível com você no passado, mas ele mudou.

Danilo ri com deboche.

— Realmente, você não tem malícia. As pessoas não mudam assim do nada.

— Não foi do nada. Ele fez terapia e, a cada dia, foi melhorando.

— Eva, eu não quero falar desse assunto com você, por favor.

Solto um suspiro cansado.

— Ok. Eu já comi o suficiente. Quero dormir.

— Claro. Se precisar de...

— E onde você pensa que vai, mocinho? Você vai dormir comigo.

— O nosso casamento é falso.

Reviro os olhos.

— Não estou te implorando para ter relações. Eu só quero dormir. Vou me sentir mais protegida com você por perto.

— Ok, mas eu vou dormir no chão.

— De jeito nenhum. Você vai dormir ao meu lado. Cumpra a sua promessa.

Meu marido solta um suspiro frustrado, apaga a luz e deita do meu lado.

— Pode fazer cafuné nos meus cabelos?

— Não acha que está abusando da minha boa vontade?

— Não. Agora cala a boca e faça o cafuné.

Ele ri e faz carinho na minha cabeça.

— Hum... Até que o carinho é bom. Só pare quando eu dormir.

Nem acredito que eu saí de um pesadelo horrível para cair em um sonho perfeito.

Eu iria desistir, mas agora não tem ninguém nesse mundo que vai me convencer de que esse homem não vai me amar.

Se prepare, senhor Cavalcanti. Eu vou roubar o seu coração.

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