Mundo de ficçãoIniciar sessão
O silêncio no 42º andar da Valente Tower era absoluto, interrompido apenas pelo som rítmico da chuva açoitando os vidros blindados e pela respiração pesada de Lara. Meses atrás, ela era apenas um vulto invisível que limpava as marcas de dedos naquelas mesmas janelas, uma peça descartável na engrenagem de bilhões de Arthur Valente. Agora, ela era o centro da tempestade particular dele.
Lara estava prensada contra a imensa parede de vidro que ia do chão ao teto. O cristal frio em suas costas nuas criava um contraste doloroso e excitante com o calor febril que emanava do corpo de Arthur. Lá fora, São Paulo brilhava como um tapete de diamantes a centenas de metros abaixo deles, mas Lara não conseguia desviar o olhar do homem à sua frente. As luzes da cidade refletiam nas pupilas dilatadas dele, tornando seu olhar predatório ainda mais sombrio. As mãos de Arthur — grandes, calejadas por um passado que poucos conheciam e adornadas por um relógio que custava mais que a vida de Lara — prenderam seus pulsos acima da cabeça contra o vidro. O domínio era físico, mas também psicológico. Ela sentia o poder dele em cada centímetro de sua pele. — Você se lembra do que me disse naquela primeira noite, Lara? A voz dele era um barítono rouco, carregado de uma autoridade que fazia os joelhos dela fraquejarem. Ele inclinou o rosto, a mandíbula tensa roçando a têmpora dela. O cheiro de uísque de malte e um perfume de sândalo caríssimo a inebriava, nublando sua razão. Você jurou que nunca faria parte do meu mundo. Que homens como eu eram vazios, feitos de números e gelo. Lara tentou responder, mas o ar parecia ter sido sugado da sala. O vestido de seda, uma peça de grife que ele fizera questão de comprar apenas para ter o prazer de rasgar, estava caído em algum lugar do tapete persa. Ela estava vulnerável, exposta à sua vontade, e o pior de tudo: ela adorava aquela sensação. Eu... eu menti — ela sussurrou, a voz falhando enquanto sentia o joelho dele se encaixar entre suas pernas, forçando uma abertura que a deixava completamente à mercê dele. Arthur soltou uma risada baixa, um som vibrante que ecoou no peito de Lara. Ele não buscava apenas o corpo dela; ele buscava a rendição total. Suas mãos soltaram os pulsos dela apenas para que seus dedos deslizassem pelo pescoço de Lara, descendo pela linha da clavícula com uma lentidão torturante, antes de se fecharem com firmeza em sua cintura, puxando-a para o encontro de sua ereção rígida sob o terno sob medida. — Você foi a única coisa que eu não pude comprar, Lara. Por isso, eu tive que conquistar. Ele enterrou o rosto na curva do seu pescoço, os lábios quentes deixando um rastro de fogo enquanto ele ditava o ritmo. Lara arqueou as costas, os dedos enterrando-se nos ombros largos de Arthur, sentindo-se pequena e, ao mesmo tempo, a mulher mais poderosa do mundo por ter aquele homem em transe por ela. Naquele escritório, onde decisões bilionárias eram tomadas todas as manhãs, a única coisa que importava agora era o som da pele chocando-se contra a pele e o brilho do desejo proibido que consumia ambos. Lara sabia que, ao amanhecer, as regras poderiam mudar. Mas ali, sob o domínio absoluto de Arthur Valente, ela era a rainha de um império construído sobre segredos e pecados. Ela fechou os olhos e se entregou à queda, sabendo que o paraíso nunca fora tão perigoso






