Mundo de ficçãoIniciar sessãoO som da porta pesada de carvalho se fechando foi como o disparo de largada. Os sócios haviam saído apressados, quase fugindo da aura predatória que Arthur emanava após o incidente com Mendes. O silêncio que se instalou na sala de reuniões era espesso, preenchido apenas pelo zumbido baixo do ar-condicionado e pela respiração errática de Lara. Ela ainda podia ouvir o eco da voz gélida de Arthur ameaçando o conselheiro, uma promessa de destruição feita em seu nome, e aquilo a deixava tonta.
Lara continuava sentada na cadeira de couro, as mãos apertando as bordas do assento até que os nós de seus dedos ficassem brancos. O rastro de fogo que a mão de Arthur deixara em sua coxa ainda queimava, uma marca invisível que parecia pulsar sob o tecido do vestido vermelho. Ela não se atrevia a se mover. Sabia que o predador ainda estava na sala, e que a calmaria de Arthur Valente era sempre o prenúncio de uma tempestade devastadora. Ele não se moveu imediatamente. Arthur permaneceu parado na cabeceira da imensa mesa de vidro negro, de costas para ela, observando a silhueta de São Paulo através do vidro que ia do chão ao teto. O crepúsculo começava a tingir o céu de laranja e roxo, mas dentro daquela sala, a luz era artificial e fria. — Você foi bem, Lara — ele disse finalmente. A voz não tinha mais o tom corporativo ou a polidez fria de minutos atrás. Era rouca, perigosa, carregada de uma eletricidade que fez os pelos do braço de Lara se arrepiarem. — Manteve a compostura enquanto um idiota te despia com os olhos e enquanto eu fazia o mesmo com as mãos sob a mesa. Arthur se virou lentamente. Ele começou a caminhar em direção a ela, desfazendo o nó da gravata de seda preta com uma mão, enquanto a outra deslizava para o bolso da calça de alfaiataria. Cada passo dele no carpete de luxo parecia ecoar dentro do peito de Lara, como o tambor de uma execução. — O senhor o ameaçou — ela sussurrou, a voz saindo mais trêmula do que gostaria, a coragem lutando contra a submissão que ele exigia. — Por minha causa. Ele é um sócio majoritário, Arthur. Você poderia ter ignorado. Arthur parou diante dela, cercando a cadeira com os braços, apoiando as mãos nos braços do assento e inclinando-se até que seus rostos estivessem a centímetros de distância. O cheiro de sândalo, uísque e poder era agora tão forte que Lara sentia que poderia se embriagar apenas por respirar o mesmo ar que ele. — Eu não aceito que ninguém toque no que é meu, Lara. Nem mesmo com o olhar. — O polegar dele subiu e pressionou o lábio inferior dela, forçando a boca de Lara a se abrir levemente. — E você... desde que manchou aquele papel com a sua assinatura, você deixou de ser uma funcionária. Você se tornou minha propriedade mais valiosa. E eu protejo meus ativos com ferocidade. Ele não esperou por uma resposta. Antes que ela pudesse processar a intensidade daquela declaração, Arthur a agarrou pela cintura e a puxou da cadeira com uma força bruta, sentando-se no lugar dela e trazendo-a para o seu colo de uma só vez. Lara soltou um gritinho sufocado de surpresa, as mãos indo instintivamente para os ombros largos dele para se equilibrar. O vestido de seda vermelha subiu perigosamente, revelando a pele branca das coxas de Lara e a lingerie de renda preta que ele mesmo havia selecionado naquela manhã. Arthur soltou um rosnado baixo ao ver a visão que criara. — O senhor disse que eu cuidaria dos seus assuntos privativos — ela provocou, uma faísca de audácia surgindo em meio ao desejo que a consumia. — Isso faz parte do trabalho de assistente? Um sorriso sombrio, quase cruel, surgiu nos lábios de Arthur. Ele apertou as coxas dela contra os seus quadris, garantindo que ela sentisse a rigidez por baixo do tecido caro do terno dele. — Isso é o trabalho, Lara. Tudo o que aconteceu lá fora, os números, as ameaças, os contratos... foi apenas o cenário. Este é o palco principal. — Ele deslizou a mão pelas costas nuas dela, a palma quente enviando descargas elétricas por sua coluna. — Onde paramos mesmo? Ah, sim... na sua punição por ter me distraído tanto naquela mesa. Você não faz ideia do quanto foi difícil manter o foco no fluxo de caixa enquanto sentia o seu calor sob os meus dedos. Ele não deu espaço para discussões. Arthur selou os lábios nos dela com uma fome possessiva, uma mão enterrada no cabelo dela, puxando os fios com força suficiente para forçar a cabeça dela para trás e expor a garganta. Lara arqueou as costas, entregando-se ao domínio dele, soltando um gemido que foi abafado pela boca de Arthur. O beijo tinha gosto de posse. Não havia ternura ali, apenas a reivindicação bruta de um homem que estava acostumado a ter tudo o que desejava. Ele desceu os beijos para o pescoço dela, mordendo a pele macia logo acima da clavícula, deixando uma marca que o corretivo dificilmente esconderia no dia seguinte. Lara cravou as unhas nos ombros dele, sentindo os músculos rígidos de Arthur sob o paletó. — Arthur... — ela arquejou, o nome dele soando como uma prece desesperada. — Arthur, o quê? — Ele parou o tormento em seu pescoço para olhá-la nos olhos, a voz vibrando com um comando silencioso. — Arthur... meu senhor — ela corrigiu, a voz sumindo enquanto ela aceitava a hierarquia que ele impunha. A resposta pareceu satisfazer a fera dentro dele. Arthur levantou-se com ela ainda em seus braços e a deitou sobre a mesa de vidro de dez metros de comprimento. O frio do vidro contra as costas nuas de Lara a fez sobressaltar, mas o calor do corpo de Arthur por cima dela a manteve ancorada. Ele afastou os relatórios financeiros e os tablets com um movimento impaciente, limpando o espaço para o que realmente importava. Ali, sob a luz fria e impessoal da sala de conferências, entre contratos de milhões de dólares, Arthur a possuiu com uma precisão que beirava a crueldade e o êxtase. Ele a dominava com palavras sussurradas, comandos que ela não conseguia desobedecer, e toques que a levavam ao limite da sanidade. Lara descobriu que o preço da sua liberdade — e da vida de sua mãe — era um prazer sombrio que ela nunca soube que existia, uma submissão que a preenchia de uma forma que ela jamais admitiria em voz alta. Enquanto as luzes da cidade começavam a piscar do lado de fora, no topo da Valente Tower, Lara percebeu que a faxineira invisível tinha morrido. No lugar dela, nascia a protegida de um monstro, a mulher que reinava no colo do rei, mas que vivia sob o seu domínio absoluto. Quando o clímax os atingiu, um silêncio absoluto voltou a reinar na sala, quebrado apenas pelo som de suas respirações pesadas e pelo brilho predatório nos olhos de Arthur. — Arrume-se — ele ordenou, levantando-se e ajustando a camisa como se nada tivesse acontecido, embora seus olhos ainda queimassem. — Você não volta para a sua casa hoje. Suas coisas já foram enviadas para a minha cobertura. A partir de agora, você dorme onde eu puder te alcançar. Lara, ainda trêmula sobre a mesa de vidro, olhou para o teto luxuoso e soube: a porta da gaiola de ouro acabara de ser trancada por dentro.






