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Capítulo 5 : O peso do silêncio

​O som da porta pesada de carvalho se fechando foi como o disparo de largada. Os sócios haviam saído apressados, quase fugindo da aura predatória que Arthur emanava após o incidente com Mendes. O silêncio que se instalou na sala de reuniões era espesso, preenchido apenas pelo zumbido baixo do ar-condicionado e pela respiração errática de Lara. Ela ainda podia ouvir o eco da voz gélida de Arthur ameaçando o conselheiro, uma promessa de destruição feita em seu nome, e aquilo a deixava tonta.

​Lara continuava sentada na cadeira de couro, as mãos apertando as bordas do assento até que os nós de seus dedos ficassem brancos. O rastro de fogo que a mão de Arthur deixara em sua coxa ainda queimava, uma marca invisível que parecia pulsar sob o tecido do vestido vermelho. Ela não se atrevia a se mover. Sabia que o predador ainda estava na sala, e que a calmaria de Arthur Valente era sempre o prenúncio de uma tempestade devastadora.

​Ele não se moveu imediatamente. Arthur permaneceu parado na cabeceira da imensa mesa de vidro negro, de costas para ela, observando a silhueta de São Paulo através do vidro que ia do chão ao teto. O crepúsculo começava a tingir o céu de laranja e roxo, mas dentro daquela sala, a luz era artificial e fria.

​— Você foi bem, Lara — ele disse finalmente. A voz não tinha mais o tom corporativo ou a polidez fria de minutos atrás. Era rouca, perigosa, carregada de uma eletricidade que fez os pelos do braço de Lara se arrepiarem. — Manteve a compostura enquanto um idiota te despia com os olhos e enquanto eu fazia o mesmo com as mãos sob a mesa.

​Arthur se virou lentamente. Ele começou a caminhar em direção a ela, desfazendo o nó da gravata de seda preta com uma mão, enquanto a outra deslizava para o bolso da calça de alfaiataria. Cada passo dele no carpete de luxo parecia ecoar dentro do peito de Lara, como o tambor de uma execução.

​— O senhor o ameaçou — ela sussurrou, a voz saindo mais trêmula do que gostaria, a coragem lutando contra a submissão que ele exigia. — Por minha causa. Ele é um sócio majoritário, Arthur. Você poderia ter ignorado.

​Arthur parou diante dela, cercando a cadeira com os braços, apoiando as mãos nos braços do assento e inclinando-se até que seus rostos estivessem a centímetros de distância. O cheiro de sândalo, uísque e poder era agora tão forte que Lara sentia que poderia se embriagar apenas por respirar o mesmo ar que ele.

​— Eu não aceito que ninguém toque no que é meu, Lara. Nem mesmo com o olhar. — O polegar dele subiu e pressionou o lábio inferior dela, forçando a boca de Lara a se abrir levemente. — E você... desde que manchou aquele papel com a sua assinatura, você deixou de ser uma funcionária. Você se tornou minha propriedade mais valiosa. E eu protejo meus ativos com ferocidade.

​Ele não esperou por uma resposta. Antes que ela pudesse processar a intensidade daquela declaração, Arthur a agarrou pela cintura e a puxou da cadeira com uma força bruta, sentando-se no lugar dela e trazendo-a para o seu colo de uma só vez.

​Lara soltou um gritinho sufocado de surpresa, as mãos indo instintivamente para os ombros largos dele para se equilibrar. O vestido de seda vermelha subiu perigosamente, revelando a pele branca das coxas de Lara e a lingerie de renda preta que ele mesmo havia selecionado naquela manhã. Arthur soltou um rosnado baixo ao ver a visão que criara.

​— O senhor disse que eu cuidaria dos seus assuntos privativos — ela provocou, uma faísca de audácia surgindo em meio ao desejo que a consumia. — Isso faz parte do trabalho de assistente?

​Um sorriso sombrio, quase cruel, surgiu nos lábios de Arthur. Ele apertou as coxas dela contra os seus quadris, garantindo que ela sentisse a rigidez por baixo do tecido caro do terno dele.

​— Isso é o trabalho, Lara. Tudo o que aconteceu lá fora, os números, as ameaças, os contratos... foi apenas o cenário. Este é o palco principal. — Ele deslizou a mão pelas costas nuas dela, a palma quente enviando descargas elétricas por sua coluna. — Onde paramos mesmo? Ah, sim... na sua punição por ter me distraído tanto naquela mesa. Você não faz ideia do quanto foi difícil manter o foco no fluxo de caixa enquanto sentia o seu calor sob os meus dedos.

​Ele não deu espaço para discussões. Arthur selou os lábios nos dela com uma fome possessiva, uma mão enterrada no cabelo dela, puxando os fios com força suficiente para forçar a cabeça dela para trás e expor a garganta. Lara arqueou as costas, entregando-se ao domínio dele, soltando um gemido que foi abafado pela boca de Arthur. O beijo tinha gosto de posse. Não havia ternura ali, apenas a reivindicação bruta de um homem que estava acostumado a ter tudo o que desejava.

​Ele desceu os beijos para o pescoço dela, mordendo a pele macia logo acima da clavícula, deixando uma marca que o corretivo dificilmente esconderia no dia seguinte. Lara cravou as unhas nos ombros dele, sentindo os músculos rígidos de Arthur sob o paletó.

​— Arthur... — ela arquejou, o nome dele soando como uma prece desesperada.

​— Arthur, o quê? — Ele parou o tormento em seu pescoço para olhá-la nos olhos, a voz vibrando com um comando silencioso.

​— Arthur... meu senhor — ela corrigiu, a voz sumindo enquanto ela aceitava a hierarquia que ele impunha.

​A resposta pareceu satisfazer a fera dentro dele. Arthur levantou-se com ela ainda em seus braços e a deitou sobre a mesa de vidro de dez metros de comprimento. O frio do vidro contra as costas nuas de Lara a fez sobressaltar, mas o calor do corpo de Arthur por cima dela a manteve ancorada. Ele afastou os relatórios financeiros e os tablets com um movimento impaciente, limpando o espaço para o que realmente importava.

​Ali, sob a luz fria e impessoal da sala de conferências, entre contratos de milhões de dólares, Arthur a possuiu com uma precisão que beirava a crueldade e o êxtase. Ele a dominava com palavras sussurradas, comandos que ela não conseguia desobedecer, e toques que a levavam ao limite da sanidade. Lara descobriu que o preço da sua liberdade — e da vida de sua mãe — era um prazer sombrio que ela nunca soube que existia, uma submissão que a preenchia de uma forma que ela jamais admitiria em voz alta.

​Enquanto as luzes da cidade começavam a piscar do lado de fora, no topo da Valente Tower, Lara percebeu que a faxineira invisível tinha morrido. No lugar dela, nascia a protegida de um monstro, a mulher que reinava no colo do rei, mas que vivia sob o seu domínio absoluto. Quando o clímax os atingiu, um silêncio absoluto voltou a reinar na sala, quebrado apenas pelo som de suas respirações pesadas e pelo brilho predatório nos olhos de Arthur.

​— Arrume-se — ele ordenou, levantando-se e ajustando a camisa como se nada tivesse acontecido, embora seus olhos ainda queimassem. — Você não volta para a sua casa hoje. Suas coisas já foram enviadas para a minha cobertura. A partir de agora, você dorme onde eu puder te alcançar.

​Lara, ainda trêmula sobre a mesa de vidro, olhou para o teto luxuoso e soube: a porta da gaiola de ouro acabara de ser trancada por dentro.

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