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capítulo 4 : A cor do desejo

Lara encarava a caixa de papelão branca sobre a poltrona da ante-sala como se fosse uma bomba prestes a explodir. O emblema dourado na tampa era de uma grife que ela só conhecia pelas revistas deixadas nas salas de espera que limpava. Dentro daquela caixa não havia apenas roupas; havia a nova identidade que Arthur Valente tinha moldado para ela em questão de horas. O contrato de exclusividade, ainda fresco em sua mente, parecia queimar em sua bolsa como um pacto irrevogável.

​Ao abrir a tampa, o cheiro de seda nova e couro legítimo a atingiu, um aroma que exalava dinheiro e intenções não ditas. Não havia uniformes cinzas de brim ali. O que ela encontrou foi um vestido de tricô de seda ajustado ao corpo, em um tom de vermelho tão profundo que lembrava vinho tinto ou sangue fresco. No fundo da caixa, um par de saltos agulha pretos, com solas laqueadas, prometia uma altura que ela nunca teve e uma estabilidade que ela temia não possuir.

​— Você tem dez minutos, Lara. — A voz de Arthur veio pelo interfone, fria, impaciente e perfeitamente sintonizada com o poder que ele exercia. — E não se esqueça: eu escolhi esse corte por um motivo. Não tente esconder o que eu comprei.

​Com as mãos trêmulas, ela se trancou no banheiro privativo. O reflexo no espelho do banheiro era de uma estranha. Ela despiu o uniforme, sentindo-se desprotegida sem a armadura de trabalhadora invisível. Ao deslizar o vestido vermelho pela pele, o tecido frio pareceu uma carícia possessiva. Ele moldava cada curva, subindo pelas coxas e terminando em um decote canoa que deixava seus ombros e a curva do pescoço completamente expostos.

​Lara se olhou no espelho e mal reconheceu a mulher de olhos arregalados e lábios trêmulos. Ela não parecia mais uma faxineira da Zona Leste; ela parecia uma arma. Uma arma que pertencia a ele. Ela calçou os saltos, sentindo o estalo seco do sapato no mármore, e respirou fundo, tentando conter a náusea de ansiedade que subia por sua garganta.

​Ao sair da ante-sala, Arthur já a esperava de pé junto à imensa porta de carvalho. Ele estava de costas, observando a metrópole, mas o som dos saltos dela o fez virar. O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. O olhar dele a percorreu de baixo para cima com uma lentidão predatória, parando em cada detalhe: a curva do quadril, o brilho da seda sobre o busto e, finalmente, seus olhos.

​Arthur se aproximou, o aroma de sândalo e uísque envolvendo Lara antes mesmo dele tocá-la. Ele estendeu a mão e ajustou uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. Seus dedos, quentes e ásperos, roçaram a pele sensível do seu pescoço, enviando um choque elétrico por sua espinha.

​— Melhor. Muito melhor — ele sussurrou, a voz carregada de uma satisfação sombria que a fez estremecer. — Agora, tente manter essa expressão de inocência durante a reunião. Os meus sócios são tubarões, Lara. Eles sentem o cheiro de medo a quilômetros. Mas eles também precisam saber que, nesta sala, a única pessoa que tem o direito de tocar em você sou eu.

​Ele não esperou por uma resposta. Arthur abriu a porta da sala de conferências e, com uma mão firmemente pousada na base das costas dela — no ponto exato onde o vestido terminava e a pele começava —, ele a guiou para dentro.

​O ambiente era gélido. Seis homens de terno, todos com idades entre quarenta e sessenta anos, interromperam suas conversas imediatamente. O silêncio foi absoluto, quebrado apenas pelo som dos saltos de Lara no piso de madeira nobre. Ela sentia cada olhar como um toque indesejado, uma varredura inquisidora que tentava decifrar quem era aquela mulher ao lado do temido Arthur Valente.

​Arthur caminhou até a cabeceira da mesa de vidro negro e puxou a cadeira imediatamente à sua direita para Lara.

​— Senhores, esta é Lara Medeiros, minha nova assistente pessoal. Ela cuidará de todos os meus assuntos... privativos — Arthur anunciou. Ele enfatizou a última palavra com uma possessividade que não deixou margem para dúvidas.

​A reunião começou, mas para Lara, as palavras sobre fusões, aquisições e lucros trimestrais soavam como um ruído de fundo sem sentido. Toda a sua consciência estava focada no homem ao seu lado. Arthur conduzia a reunião com uma agressividade brilhante, mas, sob a mesa, o jogo era outro.

​Lara sentiu a mão dele deslizar pela lateral de sua coxa. O toque começou leve, quase casual, mas logo se tornou firme. Os dedos dele subiram pelo tecido do vestido vermelho, subindo centímetro a centímetro, desafiando a bainha curta. Ela apertou as mãos sobre o colo, tentando não reagir enquanto o Diretor Financeiro apresentava gráficos complexos no telão.

​Arthur continuava falando sobre projeções de mercado, sua voz firme e sem um único deslize, enquanto sua mão encontrava a pele nua da parte interna da coxa de Lara. O calor do toque dele em contraste com o ar condicionado gelado da sala era torturante. Ele apertou levemente, um lembrete silencioso de que ela estava ali por causa do contrato. De que ela era dele.

​Lara sentiu a respiração ficar curta. Ela olhou para Arthur, implorando em silêncio para que ele parasse, mas ele apenas lhe dirigiu um olhar rápido e gélido, um comando para que ela mantivesse a compostura. Ele queria testar seus limites. Queria ver se ela seria capaz de sustentar a máscara de assistente enquanto ele a dominava publicamente, sob os olhos de todos, sem que ninguém soubesse.

​Um dos sócios, um homem de rosto avermelhado chamado Dr. Mendes, inclinou-se para a frente, ignorando o telão e focando seus olhos pequenos no decote de Lara.

​— Uma contratação... interessante, Valente. Certamente traz um novo brilho para essas reuniões maçantes. Onde você a encontrou? Ela parece ter talentos que vão além de organizar uma agenda.

​O ar na sala mudou instantaneamente. A mão de Arthur na coxa de Lara parou. O movimento foi sutil, mas a tensão que emanou dele foi como a de um predador prestes a dar o bote. Arthur largou a caneta sobre a mesa com um estalo seco.

​— Mendes — Arthur disse, sua voz agora tão baixa que era quase um sussurro, o que a tornava dez vezes mais perigosa. — A próxima vez que você se referir à minha assistente como se estivesse avaliando um ativo de leilão, eu garanto que você sairá deste prédio sem as suas ações e sem a sua dignidade.

​O silêncio voltou, mas agora era carregado de medo. Mendes empalideceu, pigarreando e voltando sua atenção para os papéis à sua frente. Arthur não desviou o olhar até que o homem estivesse visivelmente desconfortável.

​Ele voltou a mão para a perna de Lara, desta vez subindo ainda mais, o polegar roçando a borda da renda de sua lingerie. Ele se inclinou na direção dela, fingindo conferir um documento, mas sussurrou perto de seu ouvido para que apenas ela ouvisse:

​— Você viu, Lara? É assim que o mundo funciona. Eu te protejo lá fora... mas aqui dentro, você pertence apenas à minha vontade.

​Lara fechou os olhos por um segundo, o coração martelando contra as costelas. Ela estava em um ninho de cobras, mas o lobo que a protegia era o mesmo que a estava consumindo por baixo daquela mesa. Ela sabia, naquele momento, que o contrato de exclusividade era muito mais do que um papel. Era uma sentença de prazer e submissão da qual ela não tinha mais certeza se queria escapar.

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