Mundo de ficçãoIniciar sessãoDarla passou o resto do dia dentro do quarto, pensando na vida e imaginando como seria beijá-lo, sentir a pele ser tocada por ele, nenhum homem jamais a tocara assim. Mais tarde, Radael voltou ao trabalho sem avisá-la, deixou-a trancada na casa grande.
Quando o sol começou a se pôr, Darla ficou entediada e percebeu a demora dele para chegar, comeu bananas na cozinha e um ovo cozido. Saiu caminhando pela casa, espiou os quartos que estavam de portas abertas, mas não entrou, circulou por todos os cômodos destrancados e parou na sala, com vontade de ligar a televisão, mas sem coragem.
Quase às sete da noite, ouviu o barulho da moto no quintal. Sentou-se, apreensiva. Radael entrou de meias, tirou o chapéu e o deixou sobre o aparador:
— Oi
— Oi! — respondeu ela, levantando-se.
— Eu vou ter que ficar aqui dentro… pra sempre? Ou só no começo, enquanto não decido? Quer dizer… ainda posso decidir sobre aquilo?
Ele não estava de bom humor, olhou-a com desdém e assentiu:
— Pode. Vou para meu quarto. Se quiser, faça um lanche, macarrão, qualquer coisa. Não vou jantar.
Foi para o quarto, fechou a porta e isolou-se. Darla, sentindo-se um incômodo, jantou sozinha, depois tomou banho e vestiu outra roupa limpa. Perguntava-se o que seria pior: tornar-se “a mulher” daquele homem estranho ou voltar para casa e apanhar. Imaginava que o castigo do irmão seria ainda pior por ter fugido.
As horas passaram, ela não conseguia dormir. À noite, ouviu portas e, apreensiva levantou, tomou o antibiótico na cozinha. O som da televisão vinha do fim do corredor. Impulsivamente, foi até o quarto dele, desfez o coque, soltou os cabelos cacheados e, usando apenas um vestido de alças florido, sem lingerie, aproximou-se da porta. Chamou, batendo de leve:
— Radael? Está acordado
Sem resposta. Viu-o adormecido na cama, vestindo apenas uma samba-canção, com o torso inclinado, respiração lenta. Observou o abdômen firme sarado, o peito largo, o ar másculo estilo lenhador gostoso. Por instantes ficou intrigada e atraída, ele exalava confiança.
Tirou os chinelos, passou pela porta semi-aberta e, na ponta dos pés, aproximou-se dele, com o coração disparado, sem saber ao certo o que faria a seguir.
Ela olhou para si mesma, sentindo-se feia, mas tomou coragem e sentou na beirada da cama, próxima a ele, ensaiando mentalmente o que dizer. Levou a mão até o pescoço dele e o acariciou de leve com a ponta dos dedos, foi descendo pelo abdômen definido. Sentiu o quanto ele estava cheiroso, a pele quente, e o achou extremamente atraente, bonito.
Radael dormia num sono pesado, o toque não foi suficiente para despertá-lo. Ela continuou o carinho, deslizando pelos músculos até a cintura e fazendo círculos suaves na pele, desejando que ele acordasse. Num ímpeto de coragem, aproximou-se mais e lhe deu um selinho demorado, algo que sempre quisera fazer, mas nunca tivera oportunidade.
Ele abriu os olhos, confuso, sem entender o que acontecia, e logo percebeu que ela estava praticamente sobre ele.
— O que pensa que está fazendo aqui, Darla, no meu quarto? — falou confuso.
Ela se aproximou ainda mais, subiu sobre o colo dele e sussurrou, abaixando a alça do vestido:
— Eu aceito… eu aceito o que você falou.
Radael ajeitou-se na cama, com ela sentada sobre si, e franziu a testa, falou intrigado:
— E você acha que é assim? Vem aqui e tira a roupa?
Darla cobriu os se.ios com as mãos, o vestido ficou embolado na cintura. Com a voz trêmula, respondeu:
— Desculpa… eu não sei o que você quer que eu faça. Eu só… quero fazer o que você quer que eu faça.







