Mundo de ficçãoIniciar sessãoDarla respondeu com firmeza e seriedade:
— Meus pais sofreram um acidente quando eu era adolescente, então fui morar com meu irmão e minha cunhada. Na verdade, eles já moravam conosco, mas era recente. Aí se casaram, tiveram filhos e, como eu ajudava com as crianças e com a casa, não trabalhava fora. — Meu irmão não gostava que eu ficasse andando pela rua sozinha e não me deixou trabalhar em lugar nenhum que tivesse homens. Já quis trabalhar na lavoura, já quis trabalhar num pomar que havia perto de casa, mas ele nunca deixou, porque dizia que eu ia me perder e que homem nenhum ia querer nada sério comigo se eu fosse uma perdida. Tenho vinte e quatro anos, mas sinto que não vivi nada ainda, nada de jovens comuns. — Eu só saía de casa pra ir à escola e, depois de acabar o colegial, às vezes ia a missa, ou na cidade pra ir pagar conta, andando, porque ele não me deixava pegar carona e ele não me levava. Agora, você acha que a mulher dele ia pra cidade andando? — Darla esboçou um sorriso sutil, pensativa. — Nunca que ela ia andando. Pra quê, se tinha eu? Mas tá bom. Deus sabe o que faz. Fazer o quê, né? Pelo menos eu tinha comida e um teto. Olhou para ele com leve deboche, querendo dizer mais, mas não teve coragem. Voltou a comer cabisbaixa. Radael percebeu que ela engoliu algo atravessado e comentou, intrigado: — É, pelo menos isso. O que você está pensando? Por que me olhou desse jeito e parou de falar? Fale, pode ser sincera comigo, se quiser perguntar algo, pergunte. Ela assentiu, ficou pensando alguns instantes e logo falou, apreensiva: — O que você quis dizer com querer uma mulher pra te servir, mas…? — ficou enrolada, buscando palavras. — Como assim? Onde ela moraria? Você mora sozinho? Não tem nem namorada? É que vi aquelas fotos… você tem filhos, né? Tem família. Como isso seria? Fiquei confusa e um pouco curiosa. Ele arqueou as sobrancelhas e respondeu, exultante: — Bom, tenho filhos, sim, mas moram longe e já são adultos. Cada um vive a própria vida, e eles odeiam vir aqui. Sou divorciado duas vezes. Não tenho namorada, não gosto de sair, não gosto de compromisso, e já estou numa fase da vida em que não quero parar minhas prioridades, perder meu tempo me doando pra outra pessoa. — Por isso quero alguém que aceite receber para fazer o que eu quero, que é me dar prazer. Você entende, né? Não é tonta. Não é porque não viveu muita coisa que é ingênua a ponto de não entender. Ela se engasgou com a comida, começou a tossir, assentiu e falou, desconcertada: — É, eu imagino. Eu sei… não sou tonta, não disse isso. Só quis dizer que cresci privada de ver muitas coisas do mundo que outras pessoas da minha idade já viram, só isso. Ficou levemente irritada, o que o deixou intrigado e ainda mais interessado. Ele continuou, sério: — Quero uma mulher que me satisfaça. Sem cobrança de relacionamento, atenção, carinho. Quero ter o bem-bom quando eu quiser, sex.o. Em troca, ela vai morar aqui como se fosse uma funcionária, mas sem trabalhar: não precisará cuidar da casa nem se preocupar comigo ou com comida, nada. Só tem que estar disponível e bem-cuidada, gosto de mulher vaidosa. Ela arregalou os olhos, sentindo-se inferiorizada pelas ressalvas que ele frisava. Ele concluiu: — Entendeu? Ainda parece confuso? Ela perguntou, desconcertada, porque, na verdade, a proposta até lhe parecia interessante: — E se você não gostar ou se… se essa mulher não conseguir fazer o que você quer? O que acontece? Você entende que isso é algo muito importante para alguns tipos de pessoas. Radael franziu a testa, falou confuso: — Como assim importante para alguns tipos de pessoas? Não entendi. Darla o encarou com firmeza: — Você sabe… alguns tipos de pessoas, como eu. Ele arqueou uma sobrancelha, recostou-se na cadeira e perguntou, intrigado: — Ah, tá… acho que sei. Mas não precisa se preocupar. Eu faço do jeito que eu quero, sei conduzir tudo o que gosto. Só preciso de uma mulher disponível. Confiável. Ela franziu a testa, sem compreender totalmente, e quis fazer perguntas mais íntimas: — Ah… sim. — Calou-se, pensativa. Ele imaginou que ela se referia à virgi.ndade e estivesse insegura, com medo de não se sentir apta ao acordo. Terminaram de comer, ela se levantou, levou os pratos a pia e começou a lavar a louça. Radael ficou observando-a, mexendo no celular, logo se levantou, falou: — Vou deitar um pouco antes de voltar ao trabalho. Fique à vontade, não se esqueça do remédio. Está quase na hora, o horário está anotado na porta da geladeira. — Ah, sim, obrigada. Vou tomar — respondeu ela, de costas. Depois de limpar a cozinha, Darla ficou pensando em como seria, de fato, estar com um homem pela primeira vez, especialmente um homem como ele, que parecia, ao mesmo tempo, bruto e ríspido. Lembrava das histórias das colegas do colégio, sempre rasas e cheias de curiosidade juvenil, nunca ouvira de uma mulher vivida como era ficar com um homem experiente. Pelo que via no relacionamento do irmão com a cunhada, sabia que, ali, o homem ditava as regras e decidia o quanto estava bom ou não. Esse era seu medo: ser humilhada, maltratada… e não gostar daquilo.






