Capítulo 4

Quando Radael passou pelo ponto de ônibus, olhou para ver se vinham carros e a viu deitada, encolhida, dormindo. Desceu do carro imediatamente, sem acreditar no quanto ela estava vulnerável, aproximou-se e a tocou de leve no ombro.

— Darla? Acorde. O que está fazendo aqui? Não conseguiu ir para a cidade?

Ela despertou assustada, com medo nos olhos, o coração acelerado, sentiu o peito apertar, os olhos lacrimejarem e a cabeça latejou. Sentou-se, esfregando os olhos, e sentiu certo alívio ao reconhecê-lo.

— Eu não tenho para onde ir.

Mexeu no decote do vestido, tirou a nota de cinquenta reais amassada e estendeu a mão, oferecendo-a.

— Tome, de volta. Não vou usar. Eu… eu vou voltar para casa.

Levantou-se mancando, nitidamente abatida.

— Eu errei em fugir. Não foi a primeira vez que apanhei, nem será a última. Idiotice minha sair assim. Agora vou ter mais problemas ainda.

Radael pegou o dinheiro, enfiou no bolso da camisa, virou-se em direção ao carro e falou, com firmeza:

— Venha. Você pode ficar na fazenda até encontrar para onde ir. Alguns dias apenas, uma semana no máximo.

— Não precisa se deitar comigo — acrescentou, aproximando-se para ampará-la.

Pegou-a no colo como se fosse uma boneca, leve, colocou-a no carro, ela começou a chorar e apenas disse:

— Obrigada.

Ao ligar o carro percebeu que ela tremia de frio, toda encolhida e silenciosa. Voltaram para a fazenda. Quando chegaram, ele falou antes de descer:

— Espere, vou ajudá-la.

Saiu rápido, abriu a porta dela, pegou-a no colo e levou-a para um dos quartos. Tudo era muito arrumado, com móveis rústicos e planejados. Darla mal reparava, sentindo que desmaiaria a qualquer instante.

Ele a deitou na cama, puxou o vestido para baixo, ajeitando-o, e disse, observando-a:

— Vou fazer um copo de leite para você. Depois, tome um banho. Vou trazer roupas limpas e toalha.

Ela assentiu em silêncio, não havia espaço para temer Radael, o resto do mundo parecia mais assustador, e, de alguma forma, ele lhe transmitia segurança.

Ele voltou com algumas peças de roupas embaixo dos braços e, nas mãos, um copo de leite e uma fatia de pão caseiro com manteiga. Colocou tudo ao lado, na beirada da cama:

— Há quanto tempo está na rua? O que realmente aconteceu?

Darla sentou-se e bebeu metade do leite com café. Respondeu antes de morder o pão:

— Duas noites e um dia. Eu falei a verdade, moço, não tenho por que mentir.

Começou a comer com certo desespero. Ele falou, saindo do quarto:

— Vou pegar mais coisas. Já volto.

Foi ao quarto da filha, que não usava nada a anos, pegou produtos do banheiro, lingeries, agasalhos. De volta, colocou tudo sobre a cama:

— Alguma coisa deve servir. Pode tomar banho e, depois, faço outro curativo no seu pé. No banheiro tem escova de dentes, desodorante, creme para o corpo… use o que quiser. Estarei na sala, se precisar, é só chamar.

— Obrigada por tudo — ela falou baixo, cabisbaixa.

Ele fechou a porta. Ela trancou-a, foi ao banheiro espaçoso, com banheira, lavou o cabelo, encontrou lâmina e escova novas. Demorou. Fuçou as gavetas do gabinete, havia várias coisas ali.

Saiu enrolada na toalha, as roupas eram lindas, caras. Vestiu um vestido longo azul e um moletom por cima, dobrou e arrumou tudo o que não usaria. Ao abrir a porta, ouviu vozes de Radael e outro homem falando dos cavalos. Teve medo de ser vista e deixá-lo bravo. Esperou, só então saiu. No corredor, quase se chocaram. Ela falou séria, apreensiva:

— Eu precisava muito de um banho. Já lavei minhas roupas no chuveiro. Acho que meu pé piorou.

Ele caminhou para a sala, falou pensativo:

— Você precisa tomar antibiótico. Venha, sente-se aqui.

 

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