Capítulo 3
À tarde, na sede do grupo.

A notícia se espalhou rapidamente.

Valentina levou sua irmã Beatriz para a reunião do conselho e, ali mesmo, anunciou a transferência das ações.

— Valentina, você está brincando? — O diretor Fernando me puxou de lado.

— Estou falando sério. — Assinei meu nome. — A partir de hoje, Beatriz irá me representar nas decisões da empresa.

Beatriz tremia de emoção, mas se esforçava para parecer humilde: — Irmã, eu... eu não sei o que dizer!

— Não precisa dizer nada. — Entreguei-lhe os documentos. — Faça um bom trabalho.

No caminho de volta para casa, ela finalmente deixou cair a máscara:

— Valentina, por que você fez isso?

— Porque é isso que você sempre quis, não é?

Recostei-me na janela do carro: — Meu marido, minha filha, meu patrimônio... Beatriz, você venceu.

— Irmã, eu...

— Me prometa uma coisa.

Interrompi-a: — Pelo menos diante da Sarah, continue com o teatro. Ela ainda é pequena e precisa de uma família completa.

À noite, sozinha no escritório, comecei a organizar minhas coisas.

A enfermeira Olívia entrou, e ao ver meu estado, seus olhos se encheram de lágrimas:

— Senhora.

— Cuide de tudo isso.

Apontei para os documentos sobre a mesa, provas dos crimes de Beatriz: — Queime tudo.

— Mas senhora, com isso nós poderíamos...

— Sarah precisa de uma mãe.

Enxuguei as lágrimas: — Mesmo que essa pessoa não seja eu.

Na manhã do último dia, mal consegui sair da cama.

As células cancerígenas já haviam se espalhado por todo o meu corpo; cada respiração era como rolar sobre lâminas afiadas.

Olhei para meu reflexo no espelho: pálida, magra, com olheiras profundas.

— Restam vinte e quatro horas.

Falei para mim mesma.

Hoje é a festa de noivado de Francisco e Beatriz.

Sim, eles não podiam mais esperar.

Esforcei-me para descer as escadas; a sala já estava toda decorada.

Beatriz, vestida com um elegante vestido cor champanhe, comandava os empregados na arrumação das flores.

— Valentina.

Virei-me e vi meus pais entrando.

Estavam vestidos para a ocasião; minha mãe até usava o colar de safira herdado da minha avó.

Aquele colar deveria ser meu.

— Valentina, muito bem. Você finalmente amadureceu! Todos esses anos você e Beatriz sempre brigaram, seu pai e eu ficávamos tão preocupados. — Minha mãe sorriu com ternura.

— É verdade. — Meu pai assentiu. — Beatriz sempre foi obediente e compreensiva desde pequena, diferente de você, que sempre foi tão dominadora. Agora você finalmente aprendeu a ser uma irmã mais velha.

Olhei para a expressão de alegria deles, sentindo uma dor profunda no peito.

Desde criança, por mais que eu me esforçasse, aos olhos deles nunca fui melhor que a obediente Beatriz.

Virei-me e saí, sem querer ouvir mais nada.

A festa começou às sete da noite.

O salão estava cheio de convidados, todos da alta sociedade.

Todos ficaram surpresos ao me ver. Afinal, comparecer à festa de noivado do marido com outra mulher exigia uma grande dose de tolerância.

— Valentina, você realmente veio.

Francisco se aproximou, o belo rosto exibindo uma expressão complexa.

Peguei uma taça de champanhe: — Eu disse que viria. Parabéns aos dois.

— Valentina...

Ele parecia querer dizer algo, mas Beatriz se aproximou, segurando seu braço.

— Irmã, obrigada por ter vindo.

Ela sorriu docemente, com o anel de diamante brilhando em sua mão esquerda.

Era a joia de família dos Silva, o anel que deveria ser meu.

Francisco ergueu a taça:

— Senhoras e senhores, obrigado por virem à festa de noivado minha e da Beatriz. Quero agradecer especialmente à minha... Valentina, obrigado por sua generosidade e bênçãos.

Aplausos calorosos ecoaram.

Ergui minha taça, brindando à distância.

Beatriz, com os olhos marejados, declarou:

— Também quero agradecer à minha irmã. Ela me deu tudo: família, carinho, e agora, amor. Sou a pessoa mais sortuda do mundo.

Olhei para eles no palco, abraçados, sentindo um frio profundo tomar conta do meu coração.
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