409. De volta ao lar
Gabrielle Goldman
Não havia percebido o quanto senti falta da minha casa até colocar os pés nela novamente. Comigo, tudo sempre funcionou dessa forma cruel e irônica, só reconhecendo o valor das coisas quando sou arrancada delas. Quando sou exposta a situações que me despem de qualquer conforto, de qualquer ilusão de controle. Com pessoas não é diferente. Talvez seja ainda pior.
Nunca fui uma companhia fácil. Sempre soube disso. Passei a vida inteira acreditando que sentir algo por alguém que não fosse eu mesma me tornaria fraca, vulnerável, previsível. Controlável. Cresci acreditando que o afeto era uma moeda perigosa, que quem ama deve algo em troca, mesmo que não perceba. Eu não poderia estar mais errada. Ou talvez estivesse certa demais, cedo demais.
Foi exatamente essa autossuficiência arrogante que me empurrou para o maldito penhasco do qual agora eu caía, sem saber se ainda havia chão à minha espera. A sensação era a de que a queda ainda não tinha terminado. E to