410. Sempre uma maldita lembrança
Gabrielle Goldman
Era grata por Jullian sempre me colocar acima de qualquer impulso de obter respostas, acima da própria curiosidade, acima da própria dor. Sempre foi assim entre nós. Jullian não invadia. Ele apenas esperava. Mesmo quando era evidente que essa espera o corroía por dentro, mesmo quando eu via o cansaço em seus olhos, a tensão em sua mandíbula, ele nunca me perguntava aquilo que estava claro que eu não conseguiria dividir.
Talvez fosse por isso que eu o respeitasse e o amasse da mesma forma que amava e respeitava meu pai. Ele só não sabia disso. Ou talvez soubesse e fingisse não saber, para não me constranger.
— Eu te amo, Julls — confessei, sem qualquer preparação, sem ensaio, sem me importar em estar dizendo aquilo em voz alta pela primeira vez.
Ele ainda estava com a xícara encostada nos lábios quando as palavras escaparam de mim. Estava — porque engasgou imediatamente, forçando uma tosse contida enquanto o café, com toda a certeza, descia pelo lugar errado. Não cons