A notícia não saiu como escândalo.
Saiu como pergunta.
E isso foi o que mais assustou.
Às sete da manhã, o nome Valmont ocupava o topo das buscas, não acompanhado de acusações diretas, mas de interrogações desconfortáveis:
Por que documentos hospitalares foram alterados?
Quem autorizou mudanças após o óbito?
Por que uma criança nunca foi ouvida?
Luna Santiago soube antes mesmo de abrir o celular.
A mansão estava inquieta.
Não pelo movimento — mas pela ausência dele. Funcionários cochichavam menos. Caminhavam mais devagar. Como se cada parede agora tivesse memória própria.
Ela desceu as escadas com o telefone na mão.
Adrian Valmont já estava na sala de estar, tenso, lendo o mesmo artigo pela terceira vez.
— Helena publicou — ele disse.
— Não tudo — Luna respondeu. — Publicou o suficiente.
O texto era cirúrgico. Sem adjetivos excessivos. Sem nomes apontados como culpados. Apenas fatos alinhados, datas comparadas, inconsistências impossíveis de ignorar.
E, no centro, uma frase que mudava