A madrugada não trouxe silêncio.
Trouxe movimento contido.
Na mansão Valmont, as luzes permaneceram acesas além do habitual. Não por vigília declarada, mas porque ninguém conseguiu dormir com a sensação de que algo já havia começado a ruir — mesmo sem barulho.
Luna caminhava pelos corredores com passos leves, quase automáticos. O corpo cansado, a mente em alerta contínuo. Desde a confirmação do documento, ela sentia como se o ar tivesse mudado de densidade.
Não era paranoia.
Era antecipação.
Na sala de estar, Adrian conversava em voz baixa ao telefone. Quando a viu, encerrou a ligação.
— Conselho novamente? — Luna perguntou.
— Não oficialmente — ele respondeu. — Um intermediário. Usando palavras suaves para dizer coisas duras.
Ela se sentou à frente dele.
— O quê exatamente?
Adrian passou a mão pelo rosto.
— Que eu deveria “proteger a família” antes que a história “saia do controle”.
— Traduzindo: recuar — Luna disse.
— Exatamente.
Houve um breve silêncio.
— E você? — ela perguntou. —