A reação não veio como grito.
Veio como deslocamento.
Luna Santiago percebeu isso logo cedo, ao atravessar os corredores da mansão Valmont na manhã seguinte. Nada havia mudado à primeira vista — os funcionários cumpriam seus horários, as portas estavam abertas, o jardim seguia impecável. Mas o ar estava diferente. Mais atento. Mais contido.
Como se todos soubessem que algo havia sido quebrado, mesmo sem saber exatamente o quê.
Adrian Valmont estava no escritório desde antes das sete. Quando Luna entrou, encontrou-o diante do notebook, os olhos fixos em gráficos e notificações que se acumulavam na tela.
— Não é ódio — ele disse, sem levantar o olhar. — É desconfiança.
Luna se aproximou lentamente.
— Das pessoas certas? — perguntou.
Ele fechou o computador.
— Pela primeira vez.
O vídeo da entrevista não viralizara como escândalo sensacionalista. Não havia manchetes acusatórias nem julgamentos precipitados. O que havia eram análises. Threads longas. Advogados comentando. Psicólogos falan