Luna Santiago percebeu a mudança antes de qualquer aviso formal.
Não foi uma palavra.
Não foi um olhar direto.
Foi a ausência.
A mansão Valmont amanheceu organizada demais. Funcionários mais alinhados, conversas interrompidas ao vê-la passar, portas fechadas com cuidado excessivo. Não era hostilidade aberta — era vigilância.
Ela sentiu isso enquanto preparava o café de Elias.
O menino estava sentado à mesa, desenhando com canetas coloridas, mas havia algo diferente em seus gestos. Mais lentos. Mais contidos.
— Você brigou com alguém hoje? — Luna perguntou, tentando soar casual.
Elias não levantou os olhos.
— Não — respondeu. — Mas alguém está bravo.
Luna sentou-se à frente dele.
— Quem?
Ele traçou uma linha escura no papel, pressionando mais do que o necessário.
— A casa.
Ela respirou fundo.
— A casa não fica brava, Elias.
Ele a encarou, sério demais para sua idade.
— Fica quando mandam ela fingir que nada aconteceu.
Antes que Luna pudesse responder, passos ecoaram pelo corredor. Adri