A sala do conselho estava cheia antes do horário.
Não por formalidade — por tensão.
O vidro espelhado refletia rostos que tentavam parecer neutros, mas os corpos traíam o nervosismo: mãos inquietas, pernas cruzadas e descruzadas, copos d’água intocados. Ninguém conversava sobre banalidades. O silêncio era denso, carregado de cálculo.
Adrian Valmont chegou poucos minutos antes das nove. Cumprimentou apenas o necessário. Não era frieza. Era foco.
Ele sabia que aquela votação não decidiria apenas cargos.
Decidiria quem mandava quando a verdade se tornava inconveniente.
Isabella Turner entrou logo depois.
Sozinha.
Sem advogados. Sem assessores. Sem expressão defensiva.
Vestia-se de forma impecável, como sempre, mas havia algo diferente em seu passo. Não havia urgência. Não havia ansiedade. Havia… contenção. Como alguém que escolhe exatamente quando respirar.
Eduardo Klein foi o primeiro a falar.
— Vamos começar — disse, limpando a garganta. — Temos pouco tempo e muita exposição.
Isabella