Capítulo 72 — O Voto Que Não Constava na Ata

A sala do conselho estava cheia antes do horário.

Não por formalidade — por tensão.

O vidro espelhado refletia rostos que tentavam parecer neutros, mas os corpos traíam o nervosismo: mãos inquietas, pernas cruzadas e descruzadas, copos d’água intocados. Ninguém conversava sobre banalidades. O silêncio era denso, carregado de cálculo.

Adrian Valmont chegou poucos minutos antes das nove. Cumprimentou apenas o necessário. Não era frieza. Era foco.

Ele sabia que aquela votação não decidiria apenas cargos.

Decidiria quem mandava quando a verdade se tornava inconveniente.

Isabella Turner entrou logo depois.

Sozinha.

Sem advogados. Sem assessores. Sem expressão defensiva.

Vestia-se de forma impecável, como sempre, mas havia algo diferente em seu passo. Não havia urgência. Não havia ansiedade. Havia… contenção. Como alguém que escolhe exatamente quando respirar.

Eduardo Klein foi o primeiro a falar.

— Vamos começar — disse, limpando a garganta. — Temos pouco tempo e muita exposição.

Isabella
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