Isabella percebeu o movimento de Elias antes mesmo que ele fosse verbalizado.
Havia algo no jeito como ele entrou na sala do conselho — mais ereto, mais silencioso, com o olhar calculado demais — que denunciava que decisões já tinham sido tomadas nos bastidores. Elias não era um homem impulsivo. Quando se movia, era porque o tabuleiro inteiro já estava redesenhado.
— Você convocou isso sem me avisar — ela disse, em tom baixo, enquanto os outros conselheiros tomavam seus lugares.
— Porque precisava ouvir primeiro — respondeu ele, sem encará-la de imediato. — E porque sabia que você tentaria impedir.
Isabella cruzou os braços. Conhecia aquele tom. Era o mesmo que Elias usara anos atrás, quando decidiu sacrificar alianças antigas em nome de uma estabilidade que, no fim, só beneficiara a ele próprio.
Do outro lado da sala, Luna observava em silêncio.
Desde que aceitara permanecer, mesmo contra seus instintos, sentia o ambiente se fechar lentamente ao seu redor. Não era hostilidade aberta.