A mansão estava estranhamente quieta naquela manhã.
Não era o silêncio comum das casas grandes, aquele silêncio funcional, organizado, quase automático. Era um silêncio atento. Como se as paredes soubessem que algo havia mudado — e ainda não tivessem decidido de que lado ficariam.
Luna percebeu isso antes mesmo de sair do quarto.
Vestiu-se com cuidado, não por vaidade, mas por consciência. Sabia que, a partir daquele momento, cada gesto seu seria observado com mais rigor. Não como babá. Não como funcionária. Mas como presença.
Quando abriu a porta, encontrou Elias sentado no chão do corredor, encostado na parede, com os joelhos dobrados e o olhar fixo em um ponto invisível.
— Você não dormiu — ela disse, em tom baixo.
Elias ergueu os olhos devagar.
— Dormi — respondeu. — Mas acordei cedo. Hoje é diferente.
Luna se aproximou e sentou ao lado dele, respeitando o espaço que sempre aprendera a não invadir.
— Diferente como?
Ele demorou alguns segundos antes de responder.
— Hoje ninguém va