A casa parecia maior naquela manhã.
Não por espaço, mas por expectativa.
Luna sentia isso no corpo enquanto atravessava o corredor principal, consciente de cada passo, de cada olhar que surgia das portas entreabertas. Funcionários em silêncio demais. Advogados chegando cedo demais. A tensão não precisava ser anunciada — ela estava suspensa no ar.
Adrian aguardava na sala envidraçada.
De pé. Sem o terno habitual. Apenas camisa escura, mangas dobradas, postura rígida. O tipo de rigidez que não vem da autoridade, mas do esforço para não ceder.
— Eles já chegaram — disse ele, assim que Luna entrou.
— Eu sei — respondeu. — A casa inteira sabe.
Ele assentiu.
— Ainda dá tempo de evitar que Elias esteja presente.
Luna respirou fundo.
— Não — disse, com calma firme. — Ele não é um argumento. É parte da verdade.
Adrian a encarou por alguns segundos, dividido.
— Se ele falar… — começou.
— Se ele falar — Luna completou —, ninguém mais controla a narrativa.
A porta se abriu antes que ele respondes