O corredor parecia girar ao redor deles, como se a casa tivesse prendido o ar. Adrian levou Elias para o quarto do menino, fechou a porta e se ajoelhou diante dele. Luna ficou ao lado, observando a cena com o coração apertado.
Elias estava branco, sem cor, e seus olhos estavam arregalados como se ainda vissem algo que ninguém mais via. Ele respirava rápido, mas silenciosamente, como sempre.
Adrian tocou seu rosto.
— Filho… você está seguro. Estou aqui.
Mas Elias só apertou o carrinho quebrado contra o peito.
Luna se aproximou devagar.
— Podemos tentar uma coisa? — ela murmurou.
Adrian assentiu.
Luna sentou no chão, na frente de Elias, e colocou o carrinho no meio dos três.
Segurou as mãos do menino e falou, devagar:
— Elias… você viu algo naquele quarto. Você lembra. Você sabe.
Ele tremeu.
Luna continuou:
— Você pode me mostrar? Sem falar. Sem som. Só mostrar.
Os olhos dele se encheram de lágrimas.
E então… o menino assentiu.
Devagar.
Com medo.
Mas assentiu.
Adrian respirou fundo,