Edgar respirou fundo antes de continuar.
— Lembra que o papai tinha dito que estava dormindo de novo com vocês porque minha casa ainda não estava totalmente pronta? Que quando tem criança não pode morar em lugar bagunçado?
Luna assentiu imediatamente.
— Lembro, papai. — fez uma pausa curiosa. — A sua casa já ficou pronta?
— Então… — ele falou com cuidado, escolhendo as palavras. — A casa ficou pronta, sim. E o seu quarto está lindíssimo.
Luna parou de comer o sorvete. Segurou a colher no ar. Os olhos se arregalaram.
— O senhor vai me abandonar? — perguntou, com a voz baixa e o lábio inferior tremendo.
O coração de Edgar apertou. Ele se inclinou rapidamente para frente.
— Por que isso agora, meu amor? — perguntou, segurando delicadamente as mãos dela. — Já conversamos muito sobre isso, lembra? — Falou firme, mas doce. — Eu nunca vou te abandonar. Nunca. Você é minha princesa, minha filha amada.
Ela pensou por um instante, mexendo devagar na taça.
— Tem uma amiguinha na escola… — disse