Liam continuava olhando fixo para a porta.
Por um segundo, o quarto ficou silencioso — mas nada ali tinha calma. A tensão era espessa, quase palpável, como se ocupasse cada centímetro de ar entre eles.
Olívia respirava fundo, tentando organizar o próprio caos interno, mas cada vez que abria a boca, vinha mais dor do que controle.
Liam percebeu duas coisas ao mesmo tempo:
ela não ia parar
e a sombra do lado de fora ainda não tinha ido embora.
Foi o suficiente para fazê-lo reagir.
— Que merda… — ele soltou enfim, sem elevar o tom. — É exatamente por isso que eu nunca quis me casar.
A voz dele era baixa, dura, absolutamente estável.
Nada de grito. Nada de tremor.
A frieza vinha lapidada por anos de autocontrole—e de dureza.
— Chego de uma viagem desgastante e tenho que ouvir cobrança como se eu tivesse obrigação de justificar cada passo que dou.
Ele deu um meio sorriso frio, sem humor algum — um sorriso que não alcançou os olhos.
— Você repete as mesmas coisas como um disco arranhado. Ca