Rafael Ventura
O corredor do Palace Atlântico parecia não ter fim. Eu corria como um louco, ignorando os olhares de choque dos hóspedes que saíam dos quartos. Minha respiração estava errática, não pelo esforço físico, mas pelo peso daquela imagem gravada na minha retina: Lorena, magra de rosto, mas com o ventre estufado sob o uniforme barato.
— Lorena! — berrei novamente, a voz ecoando pelas paredes acarpetadas.
Ela não olhou para trás. Vi o vulto dela dobrar o corredor em direção à área de se