Rafael Ventura
O silêncio da casa grande era um carrasco. O relógio de parede no escritório parecia bater com a força de uma marreta, marcando cada segundo da ausência da Lorena como se fosse uma sentença. Eu estava andando de um lado para o outro, as mãos enterradas nos cabelos, sentindo uma pressão no peito que nenhum exercício de respiração conseguia aliviar.
Eu já tinha ligado para a Melissa mil vezes. O visor do meu celular mostrava apenas o registro de chamadas não atendidas, um vácuo de