Inicio / Romance / Segredo do Meu Marido: CEO de Dia, LUTADOR à Noite! / Capítulo 4 — Você está recebendo cinco milhões, Bianca. Considere isso o seu bônus.
Capítulo 4 — Você está recebendo cinco milhões, Bianca. Considere isso o seu bônus.

POV BIANCA

O flash da primeira câmera não me cegou. Eu estava acostumada com flashes, mas geralmente era eu quem apertava o botão, escondida atrás de uma lente, protegida pelo anonimato das sombras. Agora, o flash era uma agressão. Ele explodia contra meu rosto a cada dois segundos, enquanto eu caminhava pelo tapete vermelho do Metropolitan Museum, com a mão de Julian Thorne possessivamente espalmada na base da minha coluna.

O vestido de seda champanhe, que parecia uma carícia no quarto, agora parecia uma armadura pesada. O anel de diamante no meu dedo pesava como uma algema de chumbo.

— Sorria, passarinho — a voz de Julian vibrou perto do meu ouvido, um barítono sedutor que não chegava aos seus olhos frios. — O mundo está assistindo. Mostre a eles o quanto você me "ama".

— Eu deveria ter pedido um bônus por insalubridade — sussurrei entre dentes, mantendo o sorriso plástico que eu vinha treinando no espelho desde as seis da manhã.

— Você está recebendo cinco milhões, Bianca. Considere isso o seu bônus.

Entramos no salão principal, um mar de smokings sob medida e vestidos que custavam mais do que a dívida do Enzo. O ar estava saturado com o cheiro de perfumes caros e segredos bem guardados. Eu sentia os olhares. Eram lâminas, cortando minha pele, avaliando meu pedigree, procurando o defeito na joia que Julian exibia.

— Julian! Finalmente! — Uma voz feminina, aguda e carregada de uma falsa doçura, cortou o ar.

Uma mulher se aproximou. Ela era a personificação da perfeição ariana: cabelos loiros platinados presos em um coque impecável, olhos azuis gélidos e um vestido de alta costura que gritava "velha riqueza". Atrás dela, um casal de idosos que exalava uma autoridade opressora.

Vincenzo e Katherine Thorne. Os patriarcas. E ao lado deles, a mulher que eu reconheci das colunas sociais: Leandra Montgomery. A ex-noiva que Julian descartara há seis meses.

— Mãe. Pai — Julian cumprimentou, sua voz endurecendo instantaneamente. Ele não beijou a bochecha da mãe; apenas inclinou a cabeça. — Leandra.

— Então é verdade — Vincenzo Thorne disse, ignorando-me completamente enquanto olhava para o filho. Seu olhar era como o de Julian, mas sem a centelha de vida que o ringue dava ao meu "noivo". Era puro gelo. — Você trocou um contrato de fusão com os Montgomery por... isso?

O "isso" foi direcionado a mim como se eu fosse uma mancha de graxa em um tapete persa.

— "Isso" tem nome, pai. Esta é Bianca — Julian respondeu, e para minha surpresa, ele me puxou para mais perto, o braço envolvendo minha cintura com uma força que beirava a proteção real. — Minha noiva.

— Bianca... apenas Bianca? — Leandra deu um passo à frente, um sorriso cruel brincando em seus lábios perfeitamente pintados de vermelho. — Engraçado. Eu conheço todos os nomes que importam nesta cidade, e o seu não consta em nenhuma lista, querida. De onde Julian te tirou? De algum projeto de caridade para os menos favorecidos?

Senti o sangue ferver. Eu podia ser pobre, podia estar em dívida, mas não era capacho de herdeira mimada.

— Na verdade, Leandra — comecei, minha voz saindo clara e firme, atraindo a atenção de alguns fotógrafos próximos —, Julian me encontrou em um lugar onde a luz é real e as pessoas não usam máscaras o tempo todo. Sei que deve ser um conceito difícil para você entender, mas o amor tende a ser menos... burocrático do que uma fusão de empresas.

Julian apertou minha cintura. Não era um aviso para eu parar; era um sinal de aprovação silenciosa. Ele estava gostando da briga.

— Audaciosa — Katherine Thorne comentou, olhando-me com um desdém refinado. — Espero que essa audácia venha acompanhada de discrição. Não queremos escândalos na família Thorne, Julian. Você já nos deu trabalho suficiente com suas "atividades noturnas" e sua recusa em seguir o protocolo.

Meu coração falhou uma batida. Atividades noturnas. Ela sabia de Ares? Ou estava apenas falando das supostas farras de solteiro dele?

— Não haverá escândalos, mãe — Julian disse, sua voz agora uma lâmina afiada. — Bianca é exatamente o que eu preciso.

— Veremos — Leandra sibilou, aproximando-se de mim enquanto Julian era brevemente interceptado por um senador. — Aproveite o champanhe, Bianca. Garotas como você costumam virar abóboras antes da meia-noite. E eu vou estar lá para filmar o momento em que você tropeçar no seu próprio sapato de cristal. Eu sei que há algo errado aqui. Julian não ama nada que não tenha um preço, e você... você cheira a desespero.

Ela se afastou com um movimento elegante, deixando o rastro de um perfume floral enjoativo.

— Você foi bem — Julian murmurou, voltando para o meu lado. — Mas não baixe a guarda. Isabella é uma víbora, e meu pai é quem dá o veneno a ela.

— Eu aguento a víbora — respondi, tentando acalmar o tremor nas minhas mãos. — Mas e seus amigos? E as pessoas que realmente te conhecem?

— Eu não tenho amigos, Bianca. Tenho aliados e inimigos.

Nesse momento, vi um vulto familiar perto da área da imprensa. Murilo. Ele era um dos meus poucos amigos do mundo da fotografia, um cara que trabalhava para uma agência de celebridades. Ele estava com a câmera na mão, o rosto pálido ao me ver no braço do homem mais poderoso da cidade.

Nossos olhos se cruzaram por um segundo. Vi a confusão e a decepção nele. Para o Murilo, eu era a fotógrafa "raiz" que odiava os figurões da Park Avenue. Agora, eu era o troféu de um deles. O sentimento de traição foi mútuo; eu estava traindo minha identidade, e ele estava me capturando no ato.

— Alguém que você conhece? — Julian perguntou, seguindo meu olhar com uma precisão de predador.

— Ninguém — menti, desviando o rosto.

— Ótimo. Porque se alguém do seu passado aparecer para estragar o meu presente, eu vou lidar com isso da maneira do Ares, não da maneira do Julian. Entendido?

Engoli em seco. O aviso era claro. Ele não estava apenas me protegendo; ele estava me isolando.

A noite seguiu como um borrão de taças de cristal e conversas vazias, até que Julian foi chamado para o palco para o discurso de abertura. Fiquei em um canto, tentando passar despercebida, quando uma mão tocou meu braço.

Assustada, virei-me esperando ver Leandra. Mas era uma garota jovem, talvez com dezenove anos, com olhos grandes e expressivos que lembravam muito os de Julian, mas sem a escuridão.

— Você é a Bianca, certo? — ela perguntou, num sussurro animado. — Eu sou a Valéria, a irmã caçula do Julian.

— Ah, prazer, Valéria — respondi, relaxando um pouco os ombros.

— Não acredite em nada do que meu pai diz — ela disse, olhando em volta para garantir que ninguém ouvia. — Julian nunca trouxe ninguém para casa. Nunca. Ele é um túmulo. Se ele escolheu você, deve haver algo muito especial... ou algo muito perigoso acontecendo.

— Por que você diz isso?

— Porque Julian só faz acordos quando o preço é alto demais para qualquer outra pessoa pagar. — Ela me lançou um olhar triste, quase piedoso. — Tome cuidado, Bianca. Meu irmão é um herói para o mundo, mas ele tem um demônio dentro dele que ninguém consegue controlar. Nem mesmo ele.

Antes que eu pudesse responder, Julian voltou. Ele não disse uma palavra, apenas pegou minha mão e me conduziu para a saída. O silêncio no carro de volta para a cobertura foi tenso.

Assim que as portas do elevador se fecharam na cobertura, a fachada caiu. Julian arrancou a gravata, jogando-a no chão de mármore.

— Amanhã você começa o treinamento de etiqueta com a minha mãe. Ela vai tentar te quebrar. Não deixe.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP