Mundo de ficçãoIniciar sessãoPOV Bianca
— Bianca? Onde você está? Esses caras disseram que você arranjou um emprego novo e...
Julian desligou a chamada antes que ele pudesse terminar.
— Satisfeita? — ele perguntou, guardando o aparelho. — Agora, a caneta.
Eu ainda não me movi. Meus olhos desceram para o contrato novamente.
— Falta uma cláusula — eu disse, olhando diretamente nos olhos dele.
Julian soltou uma risada anasalada, impaciente.
— O que mais você quer? Mais dinheiro?
— Não. Eu quero uma cláusula de fidelidade real. — Minha voz não tremeu. — O contrato diz que devemos parecer um casal apaixonado em público. Mas eu conheço homens como você, Julian. Você tem o mundo aos seus pés e mulheres dispostas a tudo por um segundo da sua atenção. Eu posso ser uma noiva falsa, mas não serei uma noiva traída. Não vou ser a piada das colunas sociais enquanto você se diverte com suas amantes nos bastidores.
Julian estreitou os olhos, a diversão sumindo de seu rosto.
— Você está sugerindo que eu não posso tocar em outras mulheres?
— Estou exigindo. — Dei um passo para dentro do espaço pessoal dele, sentindo o calor que emanava de seu peito largo. — Se o mundo vai acreditar que eu sou a mulher que domou o "Príncipe de Nova York", então você vai agir como tal. Se eu vir uma única foto sua saindo de um hotel com uma modelo, ou se o cheiro de outro perfume entrar nesta casa, o contrato é rescindido, a foto de Ares vai para a internet e você pode me matar se quiser, mas sua reputação irá para o inferno comigo.
Um brilho novo surgiu nos olhos de Julian. Não era apenas raiva. Era algo mais primitivo. Ele estendeu a mão, segurando meu queixo com uma pressão firme, forçando-me a olhar para cima.
— Você quer exclusividade, passarinho? — Ele baixou a voz para um sussurro que vibrou em meus ossos. — Isso é um território perigoso. Se eu concordar com isso, você entende que a regra vale para os dois lados, não entende? Você será minha. Apenas minha. Ninguém toca no que pertence a Julian Thorne. Ninguém nem sequer olha para o que pertence a Ares.
— É um contrato de negócios, Julian. Não uma posse — tentei dizer, mas minha respiração estava falhando.
— Para mim, é a mesma coisa. — Ele soltou meu queixo e pegou a caneta da mesa, riscando uma anotação na margem do papel com uma caligrafia agressiva e elegante. — Cláusula de Exclusividade Mútua. Satisfeita agora?
Ele jogou a caneta de volta na mesa. Eu a peguei, sentindo o metal frio. Meu coração batia como um tambor de guerra. Eu assinei meu nome, sentindo que estava vendendo não apenas meu tempo, mas algo muito mais profundo.
— Ótimo — ele disse, pegando o documento assinado e entregando a Marcus, que esperava nas sombras. — Agora, o anel.
Peguei a caixa de veludo. O diamante capturou a luz da cobertura, brilhando com uma frieza cruel. Deslizei a joia pelo meu dedo anelar. O peso era real. A gaiola estava trancada.
Julian aproximou-se novamente. Desta vez, ele não parou até que nossos corpos estivessem colados. Ele deslizou a mão pelas minhas costas nuas, a pele dele quente contra a seda do vestido, e me puxou para mais perto com uma força possessiva que me fez arfar.
— Amanhã, às dez da manhã, o mundo vai saber que você é minha — ele murmurou contra meus lábios. — E você vai descobrir, Bianca, que eu sou muito bom em cumprir meus contratos. Especialmente os que envolvem posse.
Ele inclinou a cabeça, o nariz roçando o meu, a tensão sexual entre nós tão espessa que eu quase podia tocá-la. Por um segundo, pensei que ele fosse me beijar para selar o acordo de sangue. Mas ele apenas sorriu, um sorriso predatório que prometia noites sem sono.
— Durma bem, noiva. Amanhã, o seu pesadelo de luxo começa oficialmente.
Ele se afastou, deixando-me sozinha no centro daquela sala imensa, tremendo sob o brilho frio dos diamantes e o olhar fantasmagórico de Manhattan através do vidro. Eu tinha conseguido o que queria. Enzo estava vivo. Eu tinha uma garantia de respeito. Mas, enquanto eu olhava para o anel no meu dedo, uma percepção sombria me atingiu.
Eu não tinha apenas feito um acordo com Julian Thorne.
Eu tinha acabado de desafiar o deus da guerra a me caçar. E ele parecia estar adorando o jogo.







