Capítulo 3
Quando ela despertou novamente, já era o segundo dia.

Larissa abriu os olhos lentamente, e o cheiro de desinfetante invadiu seu nariz.

— Sra. Larissa! A senhora finalmente acordou! — Lilian, com os olhos inchados e vermelhos, se atirou à beira da cama, segurando com força os dedos frios dela com suas mãos ásperas. — A senhora me matou de susto!

— Eu... — A voz de Larissa estava rouca. — Como foi que eu sobrevivi?

As lágrimas de Lilian tornaram a brotar:

— Foi um médico bondoso que realmente não suportou mais ver aquilo e aplicou soro na senhora às escondidas. Ele disse que, dez minutos mais tarde, não teria sido possível salvá-la. — Enquanto falava, sua voz se embargava cada vez mais. — Sra. Larissa, eu fui implorar ao Sr. Sandro, disse que a senhora realmente tinha sido mordida por uma cobra venenosa, mas ele disse que a senhora estava fingindo estar doente. O Sr. Emerson nem sequer quis me receber, e o Sr. Douglas ainda disse que a senhora bem merecia.

Lilian enxugou as lágrimas, e sua voz tremia cada vez mais:

— O Sr. Marcelo foi o pior de todos! Eu me ajoelhei e implorei para ele vir ver a senhora, mas ele disse que a senhora estava ficando cada vez mais irracional, e ainda disse que eu estava ajudando a senhora a enganá-lo.— Lilian de repente segurou a mão dela, e um calor reconfortante vinha de sua palma áspera. — A senhora foi tão boa para todos eles! No inverno passado, o Sr. Sandro voltou de compromissos sociais às três da madrugada, e foi a senhora, usando apenas uma roupa fina, quem ficou na cozinha preparando uma sopa para aliviar a ressaca dele. A senhora mesma acabou ficando resfriada por causa do frio.

Ela continuou:

— Naquela vez em que a empresa do Sr. Emerson teve a cadeia de capital rompida, a senhora vendeu às escondidas o bracelete de jade que sua avó lhe deixou. Quando o Sr. Douglas teve febre alta e ela não passava, foi a senhora quem passou três dias e três noites sem dormir, e no fim a senhora mesma desabou de exaustão.

Lilian ficava cada vez mais exaltada à medida que falava:

— E ainda tem o Sr. Marcelo! A marca de gravata de que ele gosta, o tipo de café que ele prefere beber, coisas de que nem a própria mãe dele consegue se lembrar, a senhora guardou tudo no coração. Mas agora todos eles só têm olhos para a Srta. Nanda. Essa mulher que no passado abandonou o Sr. Marcelo e fugiu do casamento, e que desde pequena sempre maltratou a senhora, agora recebeu o amor de todos. Como o mundo pode ser tão injusto!

Larissa ouviu tudo em silêncio, enquanto sentia seu coração apertar.

Lágrimas escorreram silenciosamente do canto de seus olhos, molhando o travesseiro branco como a neve.

Aquela dor era dez mil vezes mais dolorosa do que o ferimento da mordida da cobra venenosa.

Mas ela achava que não havia problema. Muito em breve, tudo aquilo chegaria ao fim.

Em breve, ela iria para a ilha deserta.

Lá não havia falsidade nem sentimentos fingidos, não havia o jogo de substituta, e também não havia... Eles.

Depois de se recuperar por dois dias no hospital, Larissa voltou para casa.

No instante em que empurrou a porta, uma animada canção de aniversário e risadas vieram de dentro.

A sala de estar estava cheia de pessoas elegantemente vestidas e extremamente animadas.

Sob o lustre de cristal, inúmeros convidados da alta sociedade brindavam e bebiam alegremente. Marcelo e os três irmãos mais velhos estavam ao redor de Nanda, comemorando o aniversário dela, enquanto Nanda, vestida com um traje refinado, exibia um sorriso doce, sem aparentar em nada o estado de uma doente.

Ao ver Larissa voltar, o sorriso no rosto dos quatro homens congelou instantaneamente.

— Não disseram que você estava à beira da morte? — Sandro a avaliou friamente, e o olhar por trás dos óculos era afiado como uma lâmina. — Pelo visto, você está muito bem viva, não está?

Emerson franziu a testa, e a taça de vinho tinto em sua mão refletia uma luz gélida:

— Nanda não tem muito tempo de vida. Você não pode agir com um pouco mais de bom senso?

Douglas brincava com o relógio de pulso, e seu tom era impaciente:

— Da próxima vez, será que você pode mentir menos?

Marcelo se aproximou, com uma voz branda, mas que não admitia contestação:

— Nanda não tem muito tempo de vida. De agora em diante, pare de criar atritos com ela. — Ele fez uma pausa. — Eu sei que você se importa com o meu passado com Nanda, mas a minha esposa atual é você.

O coração de Larissa doeu violentamente.

"Esposa?"

Era evidente que, ao longo de todos aqueles anos, quem esteve ao lado dele tinha sido ela, quem o acompanhou e o ajudou a sair do fundo do poço tinha sido ela, quem se submeteu a ele em todas as ocasiões e em todas as posições, deixando que ele exigisse tudo o que quisesse, tinha sido ela.

Mas, no momento em que Nanda voltou, foi ela quem acabou indo com ele ao cartório para registrar o casamento!

E ele ainda conseguia enganá-la de forma tão descarada, dizendo, sem mudar a expressão, que a esposa atual dele era ela!

Os olhos dela foram ficando vermelhos aos poucos, mas os lábios se curvaram em um sorriso. Ela sorriu até sentir o coração doer. Era a primeira vez que Marcelo a via assim e, sem motivo aparente, sentiu um súbito pânico no coração. Quando estava prestes a falar, de repente, atrás dele se ouviu a doce voz de Nanda:

— Marcelo, Sandro, Emerson, Douglas, venham me acompanhar para cortar o bolo.

Em seguida, a tela grande da sala se acendeu e começou a exibir um vídeo de felicitações de aniversário.

Na primeira metade, apareciam as mensagens de parabéns dos convidados, calorosas e comoventes.

Contudo, na segunda metade, a imagem mudou repentinamente para fotos obscenas de Nanda na cama com delinquentes.

Por fim, a tela congelou em uma linha de grandes caracteres vermelhos como sangue:

[Este foi o presente de aniversário que preparei especialmente para você. Espero que a minha irmã goste.]

Toda a mansão mergulhou instantaneamente em choque.

— Desliguem isso! Desliguem imediatamente! — O rugido furioso de Sandro foi tão ensurdecedor que até o lustre de cristal pareceu estremecer.

Emerson arrancou diretamente o cabo da tomada, e Douglas já havia corrido até os convidados, advertindo cada um deles:

— Verifiquem todos os celulares. Se alguém ousar divulgar isso, arcará com as consequências!

Nanda tremia da cabeça aos pés, e até o coque cuidadosamente arrumado já estava em desalinho.

Seu rosto estava pálido como papel, e lágrimas enormes caíam sem parar:

— Larissa, você já tirou Marcelo de mim, já tirou de mim o amor dos meus irmãos. Agora que eu já estou à beira da morte, por que ainda quer me tratar assim?

Ela cambaleou para trás e, de repente, revirou os olhos, caindo rigidamente.

— Nanda! — Marcelo avançou com um passo rápido e a tomou nos braços.

No rosto sempre frio, contido e nobre dele, apareceu pela primeira vez uma expressão de pânico:

— Chamem o médico! Imediatamente! Agora!

Antes de sair, ele se virou e lançou a Larissa um olhar gélido. Aquele olhar era frio como gelo e a feriu por todo o corpo.

Os três irmãos se aproximaram no mesmo instante.

— Larissa! — Sandro agarrou o pulso dela com força, com tanta violência que parecia prestes a esmagar os ossos dela. — Veja em que estado você deixou Nanda! Nós dissemos que ela não tinha muito tempo de vida. Por que você ainda insiste em persegui-la dessa maneira?

— Não fui eu! — Larissa balançou a cabeça desesperadamente, e até sua voz tremia. — Não fui eu quem colocou essas fotos!

— Com as provas diante dos olhos, você ainda quer argumentar? — Emerson soltou uma risada fria. — Na nossa família Freitas, quem erra é punido.

"Quem erra é punido?"

Essa frase foi como uma faca cega, cravada brutalmente em seu coração.

Ela se lembrou de quando tinha doze anos, e Nanda a empurrou escada abaixo, mas os três irmãos disseram que "Nanda não tinha feito de propósito".

Ela se lembrou do seu aniversário de dezoito anos, quando Nanda jogou seu bolo no lixo, mas os irmãos disseram que "Ela só estava brincando".

Ela se lembrou daquele inverno em que Nanda a trancou de propósito na varanda durante a noite inteira, deixando Larissa congelar de frio, e eles apenas disseram que "Nanda andava de mau humor ultimamente".

E agora, eram eles que queriam puni-la.
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