Capítulo 4
— Se ajoelhe. — Douglas ordenou friamente.

Os guarda-costas avançaram de imediato e, com a mesma brutalidade com que tratariam uma prisioneira, imobilizaram os ombros dela. Larissa lutou para se soltar, mas foi forçada a se ajoelhar sobre o frio piso de mármore. Seus joelhos bateram com violência no chão, e a dor foi tão intensa que tudo ficou escuro diante de seus olhos.

Sandro pegou o chicote de vime que já havia sido preparado, o estalou no ar com um som cortante e, em seguida, golpeou com força as costas dela.

Se ouviu um estalo seco!

A dor lancinante explodiu instantaneamente, como milhares de agulhas perfurando sua carne ao mesmo tempo. Larissa mordeu os lábios com força, o gosto de sangue se espalhou em sua boca, mas, obstinada, ela não soltou um único som.

— Você reconhece o seu erro? — Sandro perguntou friamente.

— Eu não errei. — Disse ela com dificuldade.

Outro estalo seco ecoou!

A força foi ainda maior do que a de antes. O sangue atravessou imediatamente seu vestido fino, abrindo em suas costas uma mancha de sangue vermelho intenso.

— Você reconhece o seu erro?

— Eu não...

O chicote desceu sobre ela uma vez após a outra. Cada golpe parecia querer despedaçar sua alma. Aos poucos, o sangue encharcou seu vestido branco e se acumulou no chão, formando uma poça de sangue.

— Parem de bater! Por favor, parem de bater! — A velha empregada Lilian chorou, se ajoelhando no chão. — A Sra. Larissa vai morrer, ela realmente vai morrer!

Mas os três irmãos agiram como se não tivessem ouvido nada, e o castigo continuou.

A consciência de Larissa começou a se desfazer. Em seu torpor, ela ouviu Douglas dizer com um sorriso frio:

— Já que ela se recusa a admitir o erro, batam até que admita.

Quando o último golpe caiu, ela finalmente não conseguiu mais suportar. Sua visão mergulhou na escuridão, e ela perdeu os sentidos por completo.

Antes de afundar na escuridão, a última coisa que viu foi a poça de sangue brilhando no chão, e o olhar indiferente de seus três irmãos.

Larissa foi deixada sozinha no quarto por três dias inteiros.

Deitada na cama, ela conseguia ouvir com clareza as risadas e a alegria vindas do quarto ao lado.

A voz manhosa de Nanda, as palavras suaves com que os três irmãos a consolavam e também o riso grave de Marcelo, todos aqueles sons eram como facas que, dia e noite, cortavam sem parar o coração dela, já coberto de feridas.

— Nanda, tome o remédio.

— Não, está muito amargo.

— Seja boazinha. Quando terminar de tomar, eu vou te dar um doce.

— Marcelo, me dê na boca.

Larissa enterrou o rosto no travesseiro, e suas unhas se cravaram na palma da mão.

Ela havia pensado que já estava tão ferida a ponto de ter ficado entorpecida, mas, a cada respiração, uma dor aguda ainda atravessava seu peito.

Na manhã do quarto dia, ela mal conseguia sair da cama e andar. Se apoiando na parede, foi se arrastando passo a passo até a escada, quando ouviu, por acaso, vozes animadas discutindo no andar de baixo.

— Ouvi dizer que, ultimamente, um grupo de golfinhos apareceu por esta área do mar. — Havia uma rara alegria na voz de Marcelo. — Nanda sempre quis ver.

— Então vamos hoje mesmo. — Os três irmãos concordaram de imediato. — Será uma boa oportunidade para Nanda se distrair.

Larissa ficou imóvel na curva da escada, e os dedos com que segurava o corrimão tremeram levemente.

As marcas do chicote em suas costas ainda não haviam cicatrizado, a cada passo que dava, era como se o fogo a queimasse.

— Larissa? — Nanda ergueu a cabeça de repente e exclamou, surpresa e feliz. — Você finalmente conseguiu sair da cama!

Os quatro homens viraram a cabeça ao mesmo tempo, lançando sobre Larissa, parada na escada, olhares carregados de emoções.

Ela havia emagrecido muito. Debaixo da camisola larga, seu corpo parecia esvaziado, e, nos pulsos expostos, ainda restavam hematomas que não tinham desaparecido.

— Nós estamos indo ver os golfinhos. — Nanda subiu correndo as escadas e, com intimidade, segurou o braço de Larissa. — Você também quer vir?

Larissa retirou o braço por reflexo. Esse movimento fez com que os olhos de Nanda se enchessem de lágrimas no mesmo instante.

— Larissa, eu já te perdoei. — A voz de Nanda se embargou. — Embora você tenha arruinado completamente a minha reputação. Eu não tenho muito tempo de vida e não quero mais me prender a isso.

— Larissa! — Marcelo avançou a passos largos e puxou Nanda para trás de si, protegendo ela. — Nanda tomou a iniciativa de fazer as pazes, e esta é a sua atitude?

Douglas soltou uma risada fria:

— Exatamente. Olhe para Nanda e depois olhe para você. A diferença entre vocês duas é realmente enorme.

Larissa mordeu com força o lábio inferior, até sentir o gosto de sangue.

Ela olhou para aquelas quatro pessoas que um dia haviam sido as mais próximas de sua vida e, de repente, sentiu que agora lhe eram completamente estranhas.

No fim, para agradar Nanda, ela foi levada à força para o iate.

O mar azul se estendia até onde a vista alcançava. A luz do sol se derramava sobre o convés, ofuscando os olhos de quem tentava olhar.

Nanda propôs, cheia de entusiasmo, que queria comer churrasco de frutos do mar, e os quatro homens imediatamente franziram a testa em desaprovação.

— Eu já estou prestes a morrer. — Nanda baixou a cabeça, e sua voz era leve como uma pluma. — Nem isso vocês podem me permitir?

— Que bobagem é essa que você está dizendo! — Emerson se apressou em cobrir a boca dela. — Nós já entramos em contato com os melhores especialistas do exterior. Você não vai ficar doente. Nada vai acontecer com você.

Larissa permaneceu sentada em silêncio em um canto, observando-os ocupados com os preparativos do churrasco.

Ninguém se lembrava de que ela era alérgica a frutos do mar, assim como ninguém se lembrava de que ainda havia feridas em suas costas.

— Por que você não está comendo? — Marcelo percebeu de repente a presença dela.

— Eu sou alérgica a frutos do mar. — Larissa respondeu em voz baixa.

O ambiente ficou constrangido instantaneamente.

Marcelo franziu a testa. Estava prestes a se levantar para pedir ao cozinheiro preparar outra coisa para ela comer, quando uma rajada violenta de vento se ergueu de repente sobre o mar.

O iate balançou com força, a churrasqueira tombou, e as brasas incandescentes voaram em todas as direções!

— Cuidado!

Larissa viu os quatro homens se lançar ao mesmo tempo sobre Nanda, usando os próprios corpos para erguer ao redor dela uma barreira humana.

E ela mesma...

— Ah!

Um punhado de brasas caiu sobre a barra de sua saia e, num instante, se ergueram chamas violentas.

Ela rolou no chão em agonia, gritando de dor, mas ninguém sequer se virou para olhar para ela.
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