6

Iolanda

Meu nome é Iolanda Marino. Tenho quarenta e um anos e sou mãe de Ares e Giovani. Minha vida sempre esteve ligada à máfia italiana, mesmo quando eu nunca desejei fazer parte desse mundo.

Quando eu era muito jovem, fui prometida em casamento a um homem influente da organização. Na nossa família, esse tipo de decisão não era discutido.

Era aceito.

Eu me casei ainda adolescente e, pouco tempo depois, engravidei.

Foi assim que minha vida adulta começou.

Durante muitos anos vivi um casamento que jamais foi construído sobre amor. Meu marido era um homem poderoso, acostumado a fazer tudo à sua maneira. As traições eram constantes. As discussões, inevitáveis. Houve momentos em que pensei em partir, mas ele sempre deixava claro que, se eu tentasse fugir, nunca mais veria meus filhos.

Então permaneci.

Anos demais da minha vida passaram dessa forma.

Até que Ares assumiu o comando da família ainda muito jovem, e, desde então, tudo mudou dentro da nossa casa. Meu marido, que já demonstrava sinais de cansaço muito antes disso, decidiu abandonar de vez aquela vida. Disse que já havia feito a parte dele e que agora queria aproveitar o que restava do mundo.

Foi embora com outra mulher.

E, pela primeira vez em décadas, eu finalmente conheci a paz.

Desde então, nunca mais me envolvi com homem algum. Depois de tudo o que vivi, perdi completamente o desejo de dividir a minha vida com alguém. Prefiro a tranquilidade do meu quarto e o silêncio da minha própria companhia.

Passei anos tentando criar meus filhos para que se tornassem homens melhores do que o pai deles.

Com Giovani, funcionou.

Ele ainda tem coração.

Já Ares…

Ares herdou muito do temperamento do pai.

Ele não é injusto.

Mas, às vezes, é cruel em excesso.

Naquele dia, saímos do escritório da família e fomos almoçar em um pequeno restaurante perto do porto. Assim que entramos, o dono ficou visivelmente tenso ao ver Ares. Fiz apenas um gesto discreto com a mão, indicando que não havia motivo para preocupação.

Pouco depois, uma jovem veio até a mesa com os cardápios. Giovani, como sempre, sorriu para ela com interesse demais, o que me fez revirar os olhos.

Iolanda:

— Querida, por enquanto só precisamos do cardápio. Depois chamaremos você.

A moça se afastou com expressão irritada.

Giovani:

— Acabou de arruinar minha distração do dia.

Iolanda:

— Seria melhor encontrar uma mulher decente para sua vida. Você se interessa por qualquer uma que sorria na sua direção.

Ares:

— Ele não está errado. Se elas querem, ele apenas aceita.

Olhei para os dois.

Iolanda:

— É exatamente por isso que nenhum dos dois tem uma mulher de verdade ao lado.

Giovani:

— Estamos apenas vivendo, mãe.

Ares:

— Exatamente.

Mal as palavras dele terminaram de ecoar e outra mulher entrou no restaurante.

Carla.

Ela caminhou diretamente até a nossa mesa, sorrindo para Ares com uma intimidade que eu conhecia bem demais.

Inclinou-se levemente sobre a mesa.

Carla:

— Ares, passo no escritório mais tarde?

Ares:

— Passe depois. Agora estou almoçando com minha mãe.

Carla:

— Claro, querido. Até mais tarde.

Assim que ela saiu, repeti as palavras com ironia.

Iolanda:

— “Claro, querido.”

Ares soltou um suspiro cansado.

Ares:

— Mãe...

Iolanda:

— Está mais do que na hora de você arrumar uma mulher de verdade. Essa garota já passou pelos braços de metade dos homens que eu conheço.

Ares:

— Ela não significa nada. Estou solteiro.

Cruzei os braços.

Iolanda:

— Espero, ao menos, que você esteja sendo cuidadoso. Se algum dia uma dessas mulheres aparecer à minha porta com uma criança nos braços dizendo que é sua, você terá um problema comigo.

Giovani riu.

Giovani:

— Nunca vi alguém transformar um almoço em ameaça tão depressa.

Iolanda:

— Isso acontece porque nenhum dos dois leva a própria vida a sério.

Os dois ficaram em silêncio.

Eu estava prestes a chamar a moça das mesas novamente quando outra figura surgiu.

Carmela.

Suspirei.

Iolanda:

— Nem mesmo durante o almoço eu conheço paz.

Ela se aproximou da mesa com um sorriso exagerado.

Carmela:

— Olá, sogra.

Olhei diretamente para Ares antes de responder.

Iolanda:

— Querida, eu não sou sua sogra. E aconselho que não volte a me chamar assim.

Ela ignorou completamente a minha resposta.

Carmela:

— Posso almoçar com vocês?

Ares:

— Não.

Ela piscou, surpresa.

Carmela:

— Mas...

Ares levantou os olhos lentamente.

Ares:

— Eu já disse que não existe nada entre nós. Então pare de agir como se existisse.

Ela ainda tentou insistir.

Carmela:

— Você já me tratou melhor.

Ares bateu a mão na mesa.

Ares:

— Eu não vou repetir.

Ela saiu do restaurante com os olhos cheios de lágrimas.

Balancei a cabeça.

Iolanda:

— Pronto. Agora perdi o apetite.

Giovani:

— E o que foi desta vez?

Cruzei os braços.

Iolanda:

— “Sogra”? Desde quando eu me tornei sogra de qualquer uma dessas mulheres?

Olhei para os dois.

Iolanda:

— Se aquela garota voltar a me chamar assim, eu mesma vou colocá-la no lugar dela.

Ares apenas soltou um suspiro.

E eu tive mais uma confirmação daquilo que já sabia havia muito tempo.

Criar dois homens dentro da máfia italiana jamais seria uma tarefa simples.

Sigue leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la APP
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP