5

Ares

Eu já tinha problemas suficientes para resolver naquela manhã, e ainda surgiu mais um.

Um devedor.

Sempre existe um.

Homens que compram mercadoria sem ter como pagar são o tipo de gente que mais me irrita. Todos conhecem as regras.

Aqui ninguém recebe uma segunda chance.

Se alguém compra e não paga, o erro não é apenas de quem consumiu.

Também é de quem autorizou a venda.

Eu estava sentado atrás da mesa, no escritório, quando Giovani entrou.

— Já mandei trazer os dois — disse ele. — Mas tente manter a calma desta vez.

Soltei um riso curto.

— Manter a calma? Eles ignoraram uma ordem direta minha. Já deixei claro que ninguém entrega mercadoria a homens incapazes de pagar. Agora eu tenho um prejuízo de dez mil euros. O que você espera que eu faça? Finja que nada aconteceu?

Giovani cruzou os braços.

— Estou apenas dizendo para pensar antes de agir.

— Eu já pensei.

Poucos minutos depois, dois homens foram empurrados para dentro da sala.

O primeiro era o responsável pela entrega.

O segundo, o homem que havia recebido a mercadoria e não pagado.

Ambos estavam pálidos.

Nervosos.

Assustados.

Levantei devagar da cadeira.

O silêncio dentro da sala ficou pesado.

— Algum de vocês tem o meu dinheiro?

O homem encarregado da entrega apontou imediatamente para o outro.

— O problema é dele.

O devedor engoliu em seco.

— Consigo o dinheiro em dois dias.

Não respondi.

Apenas puxei a arma da cintura.

Dois tiros ecoaram pela sala.

Os corpos caíram no chão.

Guardei a arma.

— Problema resolvido.

Giovani passou a mão pelo rosto.

— Mais dois corpos para desaparecer.

— Livrem-se deles fora da cidade — respondi. — Não precisamos perder tempo enterrando lixo.

Ele me observou por alguns segundos.

— Às vezes eu me pergunto por que você é assim.

— Porque alguém precisa ser.

Eu tinha vinte e seis anos e estava no comando desde os dezoito.

Meu pai decidiu que estava cansado dessa vida e desapareceu para aproveitar o resto do mundo.

Talvez tenha sido melhor assim.

Se ele tivesse permanecido por perto, provavelmente teríamos acabado nos matando.

Eu ainda analisava alguns números quando a porta do escritório se abriu com violência.

Iolanda entrou como uma tempestade.

Minha mãe.

Os homens que estavam do lado de fora tentaram impedi-la, mas ninguém consegue parar Iolanda Marino quando ela decide entrar em algum lugar.

Ela olhou para o chão.

Viu os corpos.

Suspirou.

Iolanda:

— Ares… você matou o filho do comerciante da rua abaixo?

Suspirei.

Ares:

— Ele entregou mercadoria a um homem que não podia pagar. Conhecia as regras.

Ela me encarou.

Iolanda:

— Você poderia ter dado um prazo.

Ares:

— Mãe, não se envolva nos assuntos da organização.

Ela continuou me olhando por alguns segundos.

Então tirou o sapato e bateu com ele na minha cabeça.

Iolanda:

— Fale comigo com respeito.

Giovani virou o rosto para esconder o riso.

Ares:

— Isso realmente era necessário?

Iolanda:

— No dia em que você me vir de fato furiosa, vai desejar que tivesse sido só isso.

Ela se virou para Giovani.

Iolanda:

— E você? Por que não me avisou?

Giovani levantou as mãos.

Giovani:

— Porque eu não pretendia ficar na linha de fogo.

Ela apontou o dedo para mim.

Iolanda:

— Ele pode dar ordens a todos esses homens, mas a mim não dá.

Passei a mão pelo rosto.

Ares:

— O que veio fazer aqui?

Iolanda:

— Tentar salvar o rapaz.

Ela olhou novamente para os corpos no chão.

— Mas, como sempre, você foi mais rápido.

Ares:

— Ele conhecia as regras.

Iolanda:

— A cada dia você se parece mais com seu pai.

Giovani levantou as mãos, tentando aliviar a tensão.

Giovani:

— Que tal irmos almoçar?

Ares:

— Perdi o apetite.

Minha mãe cruzou os braços.

Iolanda:

— Não perdeu nada. Você vai se sentar à mesa comigo agora.

Ares:

— Mãe...

Iolanda:

— E vai pagar o funeral do rapaz. A família dele não tem recursos.

Soltei um suspiro contido.

Ares:

— Está bem.

Ela assentiu, satisfeita.

Iolanda:

— Ótimo. Então venha antes que eu precise usar o outro pé.

Giovani começou a rir enquanto saíamos da sala.

E, naquele momento, lembrei de uma coisa curiosa.

Eu podia comandar homens armados, territórios e negócios que movimentavam milhões.

Mas a única pessoa no mundo que ainda conseguia mandar em mim...

era minha mãe.

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