SALVATORE
Eu nunca odiei tanto estar vivo.
O médico falava em sorte, em recuperação, em possibilidade de voltar a andar, como se aquelas palavras fossem suficientes para tornar aquilo aceitável, como se bastasse acreditar para que o corpo simplesmente voltasse a funcionar. Mas como alguém espera que eu aceite isso quando eu mal consigo sentir as próprias pernas? Aquilo não parecia sorte, não parecia milagre, não parecia nem mesmo uma segunda chance. Parecia uma condenação lenta, daquelas que