– QUANDO O AMOR ROMPE O SILÊNCIO
ANA
O salão era maior do que eu imaginava.
Luzes douradas refletiam nos vidros altos, esculturas de metal e tecido ocupavam o centro do espaço, e pessoas importantes caminhavam com a naturalidade de quem sempre pertenceu àquele mundo.
Eu respirei fundo antes de dar o primeiro passo.
Cada salto ecoou no chão polido, e eu senti — antes mesmo de perceber conscientemente — que algo havia mudado.
Olhares se voltaram.
Não curiosos. Atentos.
— Quem é ela? — ouvi alguém sussurrar.
— É uma das finalistas — respondeu outra voz. — Dizem que o trabalho dela é impressionante.
Sorri de leve, mantendo a postura.
Não procurei ninguém específico.
Mas senti.
Senti quando o ambiente mudou.
WILLIAM
Foi instantâneo.
Assim que ela entrou, o salão pareceu recalcular o próprio eixo.
Ana Clara não caminhava como alguém tentando ser notada.
Ela caminhava como quem sabia exatamente quem era.
O vestido não era extravagante — era elegante, preciso, como se tivesse sido desenhado