Helena esperou anoitecer. Observou o prédio perder o movimento, as luzes se acenderem aos poucos, o barulho da rua diminuir até virar um murmúrio distante. Esperou o momento exato em que a cidade finge dormir, mas ainda respira — aquele intervalo perigoso entre o descuido e o silêncio. Ela sabia exatamente qual apartamento era, sabia porque tinha contado janelas e decorado o andar. Porque, quando o medo vira motor, a mente grava tudo com precisão cruel. Nada a faria sair dali sem Sofia.
Entrou