Helena entrou na casa sem avisar. Não como antes — quando o gesto era natural, cotidiano —, mas também não como visita. Havia algo diferente na maneira como ela atravessou a porta: sem expectativa, sem obrigação, sem o peso de um papel invisível dizendo quem ela era ali.
Arthur percebeu na hora.
— Você veio! — constatou, com um largo sorriso.
— Vim! — afirmou — Mas não como antes.
Ele assentiu, respeitando o espaço que ela criava com cuidado.
— Sofia está no quarto, fazendo lição. — disse, e ela sorriu de leve.
— Eu sei.
Sofia apareceu segundos depois, como se sentisse a presença antes de vê-la. Correu até Helena e a abraçou com força, sem pedir permissão.
— Você voltou! — disse, aliviada.
Helena se abaixou para ficar na altura dela.
— Eu não fui embora de você. — respondeu, sorridente — Só precisei aprender outro jeito de ficar.
Sofia pareceu aceitar aquilo como verdade suficiente.
Mais tarde, quando a menina já dormia, Helena e Arthur ficaram na sala, sentados em sofás opostos. O si