POV CLARICE.
Quase dois meses se passaram, dois meses que parecem dois anos. O tempo, quando carregado de medo, se dilata. Cada dia tem o peso de uma vigília constante, como se o mundo estivesse sempre a um passo de desabar — e eu fosse a única que percebe o estalo antes da queda.
Eu ainda não consegui voltar para ver Helena e isso me corrói, todas as noites penso nela.
Imagino o sorriso, o jeito firme de erguer o queixo quando decide algo. Imagino Sofia correndo pelo jardim, chamando por “mamã