POV Clarice.
A casa nunca foi tão silenciosa. Não o silêncio comum das madrugadas, aquele que traz descanso ou rotina. Era um silêncio espesso, atento, como se as paredes estivessem ouvindo. Como se cada móvel soubesse que algo havia mudado — e estivesse apenas esperando o momento certo de reagir.
Jorge estava em casa mais cedo outra vez.
Isso, por si só, já era um aviso.
Aprendi, ao longo dos anos, a reconhecer os sinais. O modo como ele deixava as chaves sobre a mesa, mais devagar do que o no