O silêncio da cozinha após a nossa tempestade de paixão e desejo é um véu frágil, após deixar tudo em ordem vamos para o nosso quarto, sim, nosso, porque Dante agora dorme comigo todas as noites e aconchegados, enquanto adormeço em seu peito.
A luz do amanhecer chega crua filtrando pelas persianas me despertando completamente e com ela o peso do dia iminente já paira sobre a cama. O corpo de Dante está quente e sólido às minhas costas, seu braço pesado sobre minha cintura, traz um conforto único e por alguns segundos me permito afundar na ilusão de paz, mas não demora muito e a memória volta à realidade: Costa, a coletiva, a guerra.
Alguns minutos depois, Dante acorda, o braço que repousa em minha cintura me puxa para nos unir ainda mais e sua voz rouca me deseja bom dia, mas não demora e percebo a mesma tensão sutil que eu sinto pois seus músculos se contraem logo após seus olhos se abrirem e ele me vê acordada, o observando, e seu rosto se suaviza por uma fração de segundos.
— É hoj