O apartamento seguro de Torres fica em um prédio antigo no centro, com fachada de azulejos desbotados e um porteiro que parece dormir de olhos abertos. Leandro, Castro e um terceiro homem, o Silva, posicionam-se nas escadas de incêndio, na cobertura e no carro na rua de baixo, Dante e eu ficamos em uma van de entrega, estacionada dois quarteirões adiante, com o áudio da escuta no apartamento de Sofia pipocando em um laptop.
O plano é simples: deixar Torres entrar, esperar que ele se exponha tentando coagir Sofia novamente, e então prendê-lo com suas próprias ameaças gravadas. A PF já está avisada, e um policial disfarçado está em uma cafeteria próxima aguardando o nosso sinal. Não é sobre justiça poética, é sobre eliminar um risco de forma limpa e legal.
Sofia está sozinha no consultório, arrumando a bagunça superficialmente, como combinado. Ela está pálida, mas estável e a promessa de um novo começo mais o medo visceral de Torres — a mantêm focada.
O gravador em seu colar de prata é