O silêncio que se segue à queda de Viktor é de um tipo novo. Não é vazio, é cheio — de ecos, de fadiga, da iminência do próximo trabalho. A paz, se é que podemos chamar assim, tem um preço, e pagamos em parcelas diárias de ajustes, entrevistas, olhares suspeitos e a reconstrução lenta de uma vida que nunca foi normal para começar.
Os dias passam, e eles são um borrão de atividade controlada, Dante agora é o “Presidente do Comitê de Ética”, um título grandioso para um escritório menor, no mesmo andar executivo, mas longe da sala do CEO. Lá ele passa horas fechado, revisando contratos antigos, criando protocolos novos, demitindo os últimos suspeitos ligados a Viktor. É um trabalho detalhista, exaustivo, empurrar a pedra da credibilidade morro acima, sabendo que ela pode rolar a qualquer momento.
A imprensa nos devora. “O Casal que Derrubou um Titã”, “De Pacto Secreto à Limpeza Ética”, “A Viúva e a Filha: As Verdadeiras Vencedoras?”. As manchetes são uma mistura de fascinação mórbida e a